Um dos expoentes da literatura dinamarquesa, Karen Blixen fez sucesso com sua obra prima: A Fazenda Africana (que eu não li), onde ela narra sobre o período em que viveu no Quênia, administrando uma fazenda de café. Aqui ela mostra fragmentos do que poderia ter sido parte daquele livro, talvez ideias cortadas do original?
Em Sombras na Relva, Blixen não tem um objetivo específico. O livro trata de memórias e pensamentos da autora sobre sua estadia na África, principalmente da sua relação com seus empregados e os nativos que viviam por ali.
O maior mérito de Sombras na Relva é revelar um pouco de culturas e crenças africanas daqueles que viviam na região, seus mitos, ritos, ideologias e sua relação com os Europeus (povo tão estranho). As divagações de Blixen e o choque de cultura são momentos muito gostosos de apreciar (como quando ela usava uma carta do rei da Dinamarca com fins terapeuticos).
De todo modo, o livro soa mais como um acessório à literatura de Blixen e menos como uma obra por si só, uma leitura auxiliar para A Fazenda Africana (que eu não li), o que tira um pouco de seu impacto.
Apesar da inconsistência, a narrativa fluída de Blixen, sua humanidade e sua imensa empatia para com o próximo, lembram muito Antoine de Saint Exupéry, que também amava divagar sobre as pessoas e sobre o tempo que ficou para trás.