Há todo tipo de livro. Tem livros tristes, livros que nos fazem rir, livros épicos, livros ruins, livros que nos decepcionam. Tem aqueles que nos deixam intrigados, curiosos, ansiosos pela continuação. Tem também aqueles livros que mudam nosso ponto de vista e a maneira de enxergar as coisas.
Hoje venho falar de um livro surpreendente, chamado “O Último Urso-Polar”, de Felix Richter.
Encontrei-o um pouquinho empoeirado em um canto de uma prateleira na livraria, enquanto fuçava por bons descontos na última black friday. Não imaginava encontrar este livro, até porque eu também não o conhecia. Mas, sem dúvidas, foi o livro que mais valeu a pena ter adquirido da pilha que trouxe para casa.
Trata-se da história e do destino de “um dos mais importantes CEOs do planeta”, como diz a sinopse, que perdeu a mulher e o filho em uma troca de tiros entre dois policiais dentro de uma lanchonete, por causa de um mal entendido durante um jogo de futebol que passava na televisão.
O último urso-polar é divido em três partes: as duas primeiras mostram o ponto de vista do CEO, que só passamos a saber o seu nome na terceira parte, que mostra o ponto de vista de um advogado que defende seus objetivos após uma série de tensos acontecimentos.
Após a morte de “seus amores”, ele não consegue superar a injustiça do assassinato e percebe que não tem mais um objetivo na vida. Já possui sua fortuna, não tem mais porque trabalhar.
É desta maneira que o livro se inicia, com o personagem principal deitado em uma cama no seu quarto, observando o ventilador de teto girar e girar. Esse foi o jeito que ele encontrou de afastar todo e qualquer pensamento. Possui uma empregada para cozinhar suas refeições, mas não troca nenhuma palavra com ela, comunicando-se apenas através de bilhetes deixados na cozinha.
Certa noite chuvosa, ele decide sair e quando vê já está em um beco – mais precisamente, uma zona de prostituição – onde encontra uma mulher com um guarda-chuva vermelho que lhe chama atenção. É a partir da noite em que ele passa com esta mulher misteriosa (a sua futura bonequinha de luxo), que o antigo CEO começa a se envolver em um universo obscuro e criminoso, decidindo vingar a morte de sua mulher e filho fazendo justiça com as próprias mãos.
São momentos bem tensos e de tirar o fôlego, acompanhados por momentos de delírio do personagem. E a partir da segunda parte, onde enxergamos o cenário em outra visão, que também chegamos a duvidar se tudo narrado até então realmente aconteceu ou se foi loucura da mente confusa do CEO.
Ao final de cada bloco de acontecimentos narrado pelo personagem principal, os parágrafos são intercalados por trechos metafóricos de um blog em que o CEO costuma ler, chamado “O último urso polar”, daí seu título.
Felix Richter sabe dominar as palavras e nos prender de tal maneira que não tem como não dizer que seu livro nos envolve desde o primeiro parágrafo até a última página. Devorei-o em dois tempos e com certeza recomendo como uma obra tão grandiosa quanto qualquer clássico da literatura brasileira.
O autor (que já passei a admirar), nascido no Rio de Janeiro, fotógrafo e jornalista possui vários livros de fotografia publicados e O último urso-polar é seu segundo romance. Ele também tem outra obra com o título “Tem um louco solto na Amazônia” e eu estou doida para ler!