Peter Härtling, uma das mais gratas revelações da literatura moderna alemã, retorna à própria infância e faz da palavra o seu triciclo. A sua meta: resgatar uma Dívida de Amor. Dívida de amor ao pai, um advogado antinazista, que perdeu em 1945, quando tinha 12 anos de idade. Härtling volta a ser o garoto de antes e conta a sua história em primeira pessoa. de velocípede, a criança quer viajar como gente grande pelas estradas de uma Europa comprimida pelas armas russas e alemãs, mas não pode prosseguir, pois não encontra na figura paterna um herói nazista. Nas rodas da literatura o homem pôde, 30 anos mais tarde, empreender a viagem. Agora, porém, ele trafega pelos estilhaços do passado, por uma Europa estraçalhada pela guerra. Através da paisagem destruída e do poder da palavra, ele revê seu país e, principalmente, reencontra o pai, que ele jamais pôde amar em vida.
