Fotolivros Latino-Americanos -

    Horacio Fernández

    Cosac Naify
    2011
    256 páginas
    8h 32m
    ISBN-13: 9788540501065
    Português Brasileiro

    Resultado de pesquisas feitas em onze países do continente, ao longo de quatro anos, o volume Fotolivros latino-americanos é o projeto mais amplo já realizado de documentação sobre livros de fotografia na América Latina. Coordenado pelo curador e historiador espanhol Horacio Fernández, com o apoio de um conselho de curadores de cinco nacionalidades, o trabalho elenca as 150 publicações mais importantes no gênero, lançadas entre o início do século XX e o do atual século. Um dos critérios de seleção foi o de contemplar apenas projetos nos quais o fotógrafo tem um papel ativo na realização do livro, em conjunto com o designer gráfico e o editor. O projeto, desenvolvido conjuntamente pelas editoras RM, que publica a versão em espanhol, Aperture (Estados Unidos) e Images en Manoeuvre (França), reproduz a capa e algumas páginas internas dos títulos selecionados. São trabalhos de grandes artistas como Horacio Coppola, Claudia Andujar, Boris Kossoy, Paz Errázuriz, Manuel Álvarez Bravo, Miguel Rio Branco e Paolo Gasparini. Mais do que uma história da fotografia no continente, Fotolivros latino-americanos funciona como um panorama estético, social e cultural da América Latina.

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    Roberto Palazo13/01/2012Resenhou um livro
    4 (Muito bom)

    Fotolivros latino-americanos (Horacio Fernández)

    “Creio que geralmente os fotógrafos demonstram certa miopia na hora de indagar as causas. Interessam-lhes os sintomas mais dramáticos do problema, em vez de suas causas. É como se se negassem a buscar comuns em todo o assunto.” – Richard Cross A fotografia sempre foi para mim uma extensão da História e da literatura, capaz de capturar expressões humanas e momentos incapazes de serem traduzidos pelas letras. Na verdade, o texto pode ser a extensão da fotografia, somando-se e complementando-se entre si em uma única expressão de arte. Algumas pessoas definem o fotolivro como um livro em que as fotos devem ser lidas, onde a imagem é, de fato, o texto. Porém, muitos dos fotolivros buscam uma comunhão entre foto e texto para passar uma ideia, retratar um momento histórico, captar um instante ou simplesmente expressar a arte. Independente da sua definição, o fotolivro tem uma vasta produção na América, apesar de muitas vezes ficar esquecido até mesmo pelos fotógrafos latinos. A partir desta constatação foi que o historiador espanhol Horacio Fernández criou o projeto mais amplo de documentação dos livros de fotografia da América Latina, com o apoio do conselho de curadores formado pelo argentino Marcelo Brodsky, o mexicano Pablo Ortiz Monatério, o inglês Martin Parr e o brasileiro Iatá Cannabrava. O volume foi lançado em três idiomas – espanhol, inglês e português – sendo que a versão brasileira foi publicada pela editora Cosac Naify. São cerca de 150 publicações retratadas no livro de diferentes nacionalidades, como Argentina, Bolívia, Brasil, Chile, Colômbia, Cuba, Equador, México, Nicarágua, Peru, Venezuela, e que percorre a América Latina através de publicações de 1920 até os dias atuais. Divididos em diferentes temáticas, como cidades, poesia, livros artísticos, polêmicos e que contemplam o universo latino-americano tão conturbado. Assim, alguns fatos históricos são retratados em fotolivros, como a revolução cubana e chilena, as revoltas no México e na Nicarágua, além das greves no ABC paulista. Aqui vale o destaque para o álbum da história gráfica do México, que contém fotos dos irmãos Zapata, além do fotolivro de Alberto Korda e Ernesto Fernández que conta a visita de Sartre a Cuba, com fotos do encontro deste com Che Guevara. Sem falar os inúmeros livros sobre Cuba, que recontam o histórico da revolução cubana, os discursos inflamados e intermináveis de Fidel Castro na luta contra o imperialismo americano. Vale destacar alguns fotolivros que retratam de maneira ímpar e crua os habitantes da América Latina. Como na obra de Enrique Bostelmann intitulado “América, un viaje a través de La injusticia”, e no polêmico livro de Sara Facio e Alicio D’Amico chamado “Humanario”. Este último contém 45 retratos de homens, mulheres e crianças de um hospital psiquiátrico. Uma obra dura e chocante, em que Horacio define que “a subversão de Humanário está na idéia do manicômio como uma alegoria da sociedade que vigia e pune”. Um ponto curioso, e que eu comentei no início deste texto, é a ligação entre fotografia e literatura. Tanto que muitos autores literários aparecem escrevendo textos em muitos livros, como Mario Vargas Llosa, Vinicius de Moraes, Jorge Amado, Pablo Neruda e principalmente Julio Cortázar. Este último participa de diversos fotolivros argentinos, tanto como escritor quanto arriscando-se como fotógrafo em “Último Round”. Além dos escritores, os fotolivros não seriam possíveis sem os designers que precisam trabalhar em conjunto com o fotógrafo para retratar a história, pensamento ou ideia para a compilação do fotolivro. Tamanha importância ganha um destaque especial no final da obra de Horácio, com um apêndice abordando o trabalho de seis importantes designers. Dentre tantos fotógrafos, escritores e designers, três coisas chamaram-me a atenção dentro dos 150 fotolivros reunidos nesta obra. Buenos Aires e São Paulo são as cidades mais retratadas nos livros apresentados, além da Amazônia, que ganha um lindo retrato no olhar de Claudia Andajur e George Love. Outro destaque é a obra de Maureen Bisilliat, que fotografou os campos brasileiros após se apaixonar por Grande sertão: veredas – as fotos foram mostradas ao próprio Guimarães Rosa. Por último, mas não menos importante, a compilação de um fotolivro de boleiros argentinos intitulado “Potrero”, com fotos de jogadores anônimos, a publicação ganha o texto de Diego Maradona – confesso que aqui senti falta de algum fotolivro brasileiro da maior paixão nacional. Destaques não faltam em Fotolivros latino-americanos, que poderia ser definido como enciclopédia ou antologia dos melhores fotolivros latinos. Porém, isso seria um crime, afinal, qualquer tipo de definição não se encaixa nesta obra que abrange um universo de livros, fotógrafos, designers e escritores que contam a história dos latino-americanos através de diferentes perspectivas e olhares pelo tempo. Mas o melhor do livro está mesmo no texto certeiro de Horacio Fernández, que tem a preocupação de documentar toda a transformação latino-americana através de um texto construtivo e que comunga com as obras e fotografias, fazendo deste livro um estudo apaixonante da América Latina. Fotolivros latino-americanos Autor: Horacio Fernández Tradução: Gênese Andrade Colaboração: Iatã Cannabrava, Lesley Martin, Marcelo Brodsky, Martin Parr, Ramón Reverté 256 páginas Preço sugerido: R$ 149,00

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