POPCORN -

    BEN ELTON

    Record
    1998
    240 páginas
    8h 0m
    ISBN-11: 8501048895_
    Português Brasileiro

    A historia de um cineasta, Bruce Delamitri, que ao receber o Oscar de melhor direcao pelo seu trabalho nas telas, resolve comemorar com um modelo da Playboy. No entanto, dois psicopatas,fa de seus filmes violentos, invadem sua casa e o tomam como refem.

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    Fabio Shiva26/08/2023Resenhou um livro
    4 (Muito bom)

    Um balde de pipocas ensanguentadas contra a glamorização da violência

    Conforme anunciado na capa da edição que li, “Popcorn” recebeu o Prêmio Golden Dagger de “Melhor Romance Policial de 1996”, conferido pela Crime Writer’s Association. A narrativa é mesmo eletrizante e mantém o leitor grudado na leitura de páginas recheadas de ultraviolência narrada em um tom de farsa histérica que permeia toda a trama. Imagino que na época de sua publicação o livro tenha sido ainda mais impactante, pelas referências explícitas a dois grandes sucessos do cinema lançados apenas dois anos antes, em 1994: “Pulp Fiction”, de Quentin Tarantino (https://youtu.be/s7EdQ4FqbhY?si=ycM8W3EneBle3XiS), e “Natural Born Killers”, de Oliver Stone (https://youtu.be/XpLKNclOtLg?si=8FUj-Zz6e1wtLGtu). A história pode até ser resumida da seguinte forma: Bruce Delamitri é um alter ego de Tarantino, um diretor de cinema que é premiado com o Oscar por um filme violentíssimo (estilo “Pulp Fiction”). Ao voltar da cerimônia da premiação, ele descobre que sua mansão foi invadida por um casal de psicopatas serial killers idênticos aos protagonistas de “Assassinos por Natureza”. Os dois fazem uma demanda bizarra ao diretor premiado, expondo as contradições e hipocrisias da sociedade moderna com seu culto à violência. Ao dar uma pesquisada sobre o autor de “Popcorn”, Ben Elton, descobri que o escritor britânico é também ator e comediante, tendo inclusive sido roteirista da série “Mr. Bean”, estrelada por Rowan Atkinson (https://youtu.be/KDr68OjO1uc?si=LkcnXP6DFFbEZqTg). Isso explica em parte o tom farsesco da história. A questão que sempre surge nesse tipo de paródia é que toda crítica acaba de um modo ou de outro reforçando aquilo que se propõe a criticar. A banalização e até mesmo a glamorização da violência são ironizadas por meio de doses maciças de violência, que acabam por sua vez banalizando e glamorizando a violência... O que me faz lembrar da sábia atitude de Madre Teresa de Calcutá, que nunca participava de nenhum movimento “contra” (“contra a guerra”, “contra a violência” etc.). Ela só aderia a causas “a favor” (“pela paz”, “a favor do amor” etc.). Se você fica repetindo frases como “contra o ódio”, no final das contas você está falando apenas de ódio. Esse foi um erro crasso cometido durante as eleições presidenciais de 2018 no Brasil, com a campanha do “Ele não”, que só fez fortalecer as maldades e insanidades do Coiso... Voltando ao livro “Popcorn”, tal como o título promete, é uma diversão altamente calórica e nada saudável, exatamente como um balde gigante de pipocas de cinema saturadas de sangue... ou de gordura hidrogenada. https://comunidaderesenhasliterarias.blogspot.com/2023/08/um-balde-de-pipocas-ensanguentadas.html

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