Dizer que me surpreendi com essa short story seria mentira. Já conheço o potencial da Lauren Oliver de Delírio e fragmentos de Pandemonium que já li. Então, o que tenho a dizer, é que a escritora faz juz a sua fama em Hana.
Nessa história, temos o ponto de vista de Hana, melhor amiga de Lena, sobre os acontecimentos do verão que antecederam sua cura. Logo, nem preciso dizer, é fundamental ter lido Delírio antes. Em um mundo no qual o amor e todos os eventos que podem motivá-lo, como música, festas, contato entre jovens de sexos diferentes, são reprimidos, Hana se vê completamente sufocada. E buscando aproveitar o último verão em que essas coisas terão sentido para ela, vemos os passos que ela tomou enquanto Lena conhecia Alex.
É incrível o modo como a autora desenvolveu a mente e a vida de Hana, de modo quase oposto as experiências de Lena. Enquanto, em Delírio, vemos o desenvolver do amor e as dúvidas e certezas por ele suscitadas, em Hana, vemos que viver em um mundo com sentimentos tem seus riscos e suas dores. Afinal, amor, desejo, solidariedade e egoísmo, são complementares, e onde existe um, certamente é possível que exista o outro. E Lauren soube muito bem brincar com todos esses elementos.
(O único fato para eu deixar de dar uma estrela para esse livro é que senti falta das citações que vi em Delírio. Sei, que como são pontos de vista diferentes, não teria muito sentido, mas mesmo assim não teve como eu dar as 5 estrelas).
Sem querer me estender para não gerar spoilers, já que essa é uma história bem curta, recomendo Hana para todos os fãs de Delírio. A última frase contém uma revelação estrondosa sobre a trilogia. E claro, você não vai querer deixar de saber!
"Do que mais eu vou lembrar, se eu não me lembrar de nada?"