O especialista em Filosofia Antiga, Jean-François Mattéi, discute neste livro o conceito de barbárie, desde a Antigüidade Clássica até a Modernidade. Ao lançar-se sobre vários pensadores como Hannah Arendt, Theodor Adorno, Nietzsche e Dino Buzzati, o autor procura mostrar como a barbárie se manifesta no mundo contemporâneo, na decadência da educação, na ditadura da cultura de massa e na ascensão dos regimes autoritários.
A barbárie interior - Ensaios sobre o i-mundo moderno
Jean-François Mattéi
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Ver maisA barbárie exposta em todas as suas nuances, desde os tempos remotos até os tempos modernos e pós-modernos. É tal a intenção que busca o autor expor na obra, cujo objetivo é alcançado com sucesso. Em suas palavras, "nós nos acostumamos com efeito à barbárie, nossa época é um testemunha claro disso. Habituamo-nos sobretudo deliberadamente a humilhar a humanidade como humanidade reduzindo-a ao parcelamento de seu corpo à decomposição da alma". É daí que, feita tal constatação, a saber, que a barbárie que nos assola sempre esteve presente desde quando o homem se constituiu em sociedade, o autor parte em busca das causas e dos efeitos dessa tal barbárie. O livro é uma digressão filosófica, mas com um direcionamento concreto, certo, objetivo. A digressão se dá no sentido histórico, quando o autor busca as origens da barbárie no homem e na sociedade. Assim, o livro inicia buscando as origens etimológicas e definidoras da barbárie, começando pela Grécia, passando pela Europa e até chegar nos dias atuais. Não se foge da barbárie. Nunca se fugiu, por mais que tentado. A barbárie está inserida não apenas no sujeito, mas também na educação, na cultura e na política. Para cada um desses níveis o autor articula especificamente em capítulos próprios. Suas formas de manifestação ganham relevo nas exposições críticas presentes na obra. O "i-mundo" conceituado pelo autor se refere a forma de desenvolvimento do ser humano sem levar em conta bases concretas de senso de comunidade, ou ainda de humanidade, de modo que o resultado de tal desenvolvimento sem concretude, sem um direcionamento adequado, sem uma base forte, acarreta em uma sociedade fragilizada, na qual a barbárie é ao mesmo tempo o mote e o estopim que resulta na transgressão da própria humanidade. Conforme o autor, "i-mundo é o que resta do mundo quando o longínquo se retirou, abandonando o sujeito a esse lamaçal bárbaro, que adquire hoje o nome de massa, onde o pensamento se abisma". É um livro interessante, com um tema que recebe profundas reflexões. O aparentemente simples se demonstra como não assim sendo. A ideia de barbárie é tanto exposta como combatida. A conclusão, porém, se dá no sentido de que esta sempre se fez presente. Atualmente, pode-se dizer, num nível pior, pois mesmo o homem contando com diversos aparatos (exemplos históricos, paradigmas filosóficos, informação ao alcance de todos), ainda assim deixa se levar constantemente pela barbárie, de modo que a humanidade acaba saindo perdendo. Recomendo!
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