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    A Neurose Obsessiva -

    Charles Melman

    Companhia de Freud
    1999
    130 páginas
    4h 20m
    ISBN-10: 8585717785
    Português Brasileiro
    4.1
    22 avaliações
    Leram37Lendo3Querem18Relendo0Abandonos2Resenhas2
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    O que proponho imediatamente à atenção de vocês é que o pai que o obsessivo visa é, primeiramente, para o obsessivo, o pai que está no Outro. È aquele que Lacan chama de ao-menos-um. E o obsessivo visa este pai que esta no Outro, o ao-menos-um. Também quer dizer aquele que esta no Real, e ele o visa tentando castrá-lo por seu amor. Castrar o pai por seu amor? Que historia é esta? Esta historia é a mesma de nossa religião, o pai que amamos na religião enquanto ele é puro amor por seus filhos e enquanto renunciou ao sexo. Para os gregos e para os romanos tal coisa nunca existiu, é uma criação, uma força de nossa religião ter estabelecido um pai que nos ama, que para nós é puro amor, mas que, ele mesmo, é fora do sexo. E é por isto que dou esta pequena nota clínica – com freqüência, o obsessivo ama seus avós. Vocês sempre vão poder verificar isto: ele sempre tem um apego particular pelos avós. Vocês me dirão, atenção, mas o Deus judeu é um Deus que não é somente puro amor, é um Deus ciumento, e também é um Deus guerreiro mas aí está a força própria, a invenção, a criação de nossa religião – é um Deus fora-do-sexo.

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    César de Oliveira29/05/2023Resenhou um livro
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    Excertos

    ''Há no amor um traço notável. É que, no amor, não amamos alguém pelo que ele tem. Não amamos alguém porque é rico, belo e poderoso. Quando alguém é belo, rico e poderoso provoca, em geral, a inveja e o ódio. Quando é que o amor é provocado? Amamos alguém por sua fraqueza, por aquilo que lhe falta, por aquilo que não tem. E é por isso que Lacan diz que o amor é dar o que não se tem.'' (página 50). ''E então Lacan evocou aquilo que chamou de desejo de analista. O que é? Não se trata dos desejos da pessoa, dos desejos próprios da pessoa que ocupa a função de analista mas trata-se do desejo que seria específico do analista. Isto é, de levar o analisando a um lugar a que o desejo de analista poderia conduzir seu paciente? É este lugar onde ele pode ser levado a constatar que a referência a um pai no Outro é uma defesa. Defesa contra a angústia de não poder se referir a um bom pai, defesa a não saber o que quero e desejo. Lacan dizia que no final de análise lacaniana há um momento de depressão onde se constata que no Outro não há ninguém que me espera, não há ninguém que me olha, não há ninguém que me guie, não há ninguém que me seduza, porque o Outro é uma estrutura. Mas por que o analista iria querer levar o paciente até este ponto?'' (página 90)

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    Charles Melman

    Charles Melman nasceu em 1931 em Paris. Ele foi um dos principais colaboradores de Lacan e fundou a atual Association Lacanienne Internationale, onde profere, há mais de vinte anos, um ensino de psicanálise. Atento observador da realidade contemporânea, Melman usa os conceitos da psicanálise para interpretar as mudanças em curso na sociedade atual, como a dissolução do núcleo familiar.

    12 Livros
    6 Seguidores

    Charles Melman