Tenho um cavalo alfaraz -

    Ivone Benedetti

    WMF Martins Fontes
    2011
    120 páginas
    4h 0m
    ISBN-13: 9788578273910
    Português Brasileiro

    Nesta série de oito contos apresentados em contagem regressiva, tramas bem urdidas narram histórias de regressos tentados ou consumados, na constante busca daquilo que não foi mas deveria ter sido, na história de cada um e na vida do País.

    Resenhas (1)Ver mais
    Adauto Villela picture
    Adauto Villela22/12/2011Resenhou um livro
    4 (Muito bom)

    Impressões de uma primeira leitura

    Este é o primeiro livro da Ivone que leio. Gostei muito, quero ler outros. Dá para perceber um burilamento do texto, um cuidado em estruturar uma frase com uma inversão inusitada, mas perfeitamente clara e compreensível. Esse mesmo cuidado é perceptível nos pequenos poemas que precedem cada conto, a título de epígrafes, ou na própria numeração regressiva dos contos, começando no 7 e indo até o zero. A maioria dos contos tem um narrador masculino e se passa na segunda metade do século passado. E a maioria tem também algum momento de sensualidade, com uma cena de sexo apenas sugerida, como no primeiro conto, "O tímpano", ou mais explícita, como em "O major". Da mesma forma, notei que muitos contos apresentam um episódio de adultério como mote central. Acho que o meu preferido foi "Cobre", conto que tem uma narradora feminina, analfabeta, que dita sua história para uma certa dona Branca. O tom desse conto é bastante regionalista, com uma trama que envolve o leitor pela agilidade e pelo mistério ou, melhor dizendo, pelo sobrenatural que inclui. A narradora é uma curandeira em algum interior de sertão. Ela vai resolver a doença que estava atacando o gado de um fazendeiro. Nessa fazenda surge um sujeito que, depois de resolvida a questão dos bois, vem pedir para ser curado de um problema em sua língua, e, sempre ao seu lado, existe um outro sujeito, um ente que só a benzedeira vê. Mas esse é só o começo da história, a coisa ganha um desenvolvimento ainda mais interessante na volta dessa fazenda, quando entra em cena também O Moço. Vale também destacar "A Armada", que se passa no século XVII e é narrado numa linguagem totalmente diversa do conto "Cobre" e dos outros. Com a leitura de desta obra de Ivone Benedetti, a impressão que tive foi a de estar diante de uma grande estilista, de uma autora que estrutura cuidadosamente os enredos e ainda salpica seu texto com diversos momentos poéticos. Recomendo.

    1 curtida

    Estatísticas

    Avaliações

    3.7 / 6
    • 5 estrelas0%
    • 4 estrelas50%
    • 3 estrelas50%
    • 2 estrelas0%
    • 1 estrelas0%