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    Mulher Nua -

    Gilka Machado

    Jacinto Ribeiro dos Santos
    1922
    175 páginas
    5h 50m
    ISBN-1: 0
    Português Brasileiro
    4.4
    14 avaliações
    Leram20Lendo0Querem30Relendo0Abandonos0Resenhas3
    Favoritos0Desejados30Avaliaram14

    Anseios, pesares, asas, olhares, abraços e arrepios. Nesta obra a poeta Gilka Machado retrata, com toda sua sensibilidade, amores e delírios sob a influência das estações, luar e crepúsculo. Os poemas são marcados pelas características simbolistas, mas com toda a personalidade da autora. "abandono-me a ti como se fosse a tua alma,/ abandono-me ao mar como se fosse uma onda."

    Resenhas (3)Ver mais
    Camila Gimenez Sobral picture
    Camila Gimenez Sobral22/05/2021Resenhou um livro
    4 (Muito bom)

    "A primeira mulher nua da poesia brasileira"

    Apesar de gostar de poesia, faz um bom tempo que não pego um livro do gênero para ler. Incentivada pelo desafio Leia Mulheres, uma das categorias é de autoras brasileiras esquecidas pela crítica. Após um Google, descobri Gilka Machado. Não me é um nome estranho, apesar de não me lembrar onde a vi. Provavelmente em alguma aula de português (tive ótimas professores apaixonadas por poesia). Um pouco mais de pesquisa, descobri sua breve biografia. Seus poemas são do começo do século XX, uma época em que mulheres eram confinadas ao recato e à vida doméstica. Mulheres não escreviam. Mulheres não eram poetisas. Isso inclusive me lembra o Neve na manhã de São Paulo, do José Roberto Walker. Nesse livro ele romantiza uma história de amor entre uma jovem estudante, que era versada na literatura e arriscava a escrever seus próprios poemas, com Oswald de Andrade, um dos maiores poetas brasileiros. E Oswald viveu num dilema: adorava esse jeito da menina, de ler, estudar, escrever, ao mesmo tempo que não valorizava aquilo que ela fazia por ser mulher. Nessa época, as poucas mulheres que escreviam vinham da elite. Cresciam nos salões literários. Suas obras eram simbolistas e parnasianas. Gilka veio do meio artístico. Filha de uma família de artistas, mãe atriz e pai poeta. Isso a colocou num nível abaixo das escritoras de sua época, o que pode ter influenciado a crítica a classificar seu lirismo como pornográfico. Gilka é muito mais do isso. Ela pode ser considerada uma das precursoras da poesia erótica escrita por mulheres no Brasil. Sua poesia é cheia de simbolismo e metáforas que refletem o prazer feminino e a masturbação, assunto tabu e polêmico. Em A Mulher Nua, ela joga luz com um lirismo sensacional e sinestésico ao prazer da mulher. Alguns mais desatentos talvez nem vejam. De forma delicada e simbólica, Gilka busca a conexão e a união. Os poemas deste livro estão numa transição entre o simbolismo e o modernismo e em alguns poemas é possível ver as características bem definidas de cada escola e a maestria que Gilka tem. Em 1976 foi convidada por Jorge Amado a ingressar a Academia Brasileira de Letras, porém ela declinou o convite. Em 1977, Rachel de Queiroz se tornou a primeira mulher a assumir uma cadeira na ABL. Gilka tem diversas citações nas colunas publicadas por Carlos Drummond, outro sensacional poeta. Como essa mulher caiu no ostracismo, eu não consigo entender.

    8 curtidas

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    Avaliações

    4.4 / 14
    • 5 estrelas57%
    • 4 estrelas36%
    • 3 estrelas7%
    • 2 estrelas0%
    • 1 estrelas0%
    Gilka da Costa de Melo Machado profile picture

    Gilka da Costa de Melo Machado

    Foi uma poetisa brasileira. Seu trabalho geralmente é classificado como simbolista. Machado ficou conhecida como uma das primeiras mulheres a escrever poesia erótica no Brasil; também foi uma das fundadoras do Partido Republicano Feminino (em 1910), que defendia o direito das mulheres ao voto. Nasceu em uma família de artistas; sua mãe, Thereza Cristina Moniz da Costa , era atriz de teatro e radioteatro e seu pai, Hortêncio da Gama Souza Melo era poeta. Começou a escrever poesia ainda criança. Aos 14 anos, participou de um concurso literário realizado pelo jornal A Imprensa, ganhando os três prêmios principais com poemas sob seu nome e pseudônimos. Os críticos ficaram escandalizados por seus poemas, chamando-a de "matrona imoral". Seu primeiro livro de poemas, Cristais partidos, foi publicado em 1915. O livro foi prefaciado por Olavo Bilac. Nos anos seguintes, ela publicou os livros: A revelação dos perfumes (1916), Estado de alma (1917), Poesias (1915-1917) - (1918) e Mulher Nua, em 1922. Em 1933 ganhou um concurso da revista O Malho como maior poeta brasileira do século XX.

    5 Livros
    20 Seguidores
    Rio de Janeiro, Brasil

    Gilka da Costa de Melo Machado