Zoo Louco -

    María Elen Walsh, Angela Lago

    projeto
    2011
    56 páginas
    1h 52m
    ISBN-13: 9788585500986
    Português Brasileiro

    Primeira tradução da autora argentina no Brasil, este livro reúne 42 limeriques, poemas ao estilo inglês, que divertem pelo nonsense. Vaca que voa e fala inglês, hipopótamo pequeninim, tartaruga que viaja de ônibus, canário que late e gato concertista que toca Liszt são alguns dos bichos desse zoológico muito doido que a escritora argentina criou em 1964 e que finalmente chega às mãos das crianças brasileiras na tradução de Gláucia de Souza e com imagens muito criativas e divertidíssimas da premiada ilustradora mineira Angela-Lago.

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    Eduardo picture
    Eduardo25/12/2011Resenhou um livro
    5 (Perfeito)

    No imaginário coletivo, o louco costuma se mostrar por meio de atos inusitados e extravagantes. Em muitas obras de ficção e humor, o louco é espalhafatoso, agitado, aquele que grita e quebra coisas. Representações assim reforçam a diferença que há entre as pessoas ditas loucas e as pessoas ditas normais. Mas a literatura nonsense está aí para tornar essa barreira cada vez mais imperceptível e confusa. Vem para plantar a dúvida: somos normais mesmo? O que é ser normal? Um bom exemplo desse nonsense é "Zoo Louco" (2011, Editora Projeto, tradução de Gláucia de Souza), livro de poemas da argentina María Elena Walsh (1930 - 2011), que pela primeira vez foi traduzida no Brasil. O zoo louco de Walsh é uma coleção de bichos com feitio ou comportamento muito inusitado, contados em forma de limeriques, o gênero poético que é tema desse blog. Mas ao contrário de passar espanto ou agitação, os poemas apresentam as situações absurdas com muita calma, com ares de naturalidade: "Uma vaca que usa colher no almoço e que tem um relógio em vez de rosto, que voa e fala inglês, sem dúvida ela é, uma Vaca estranhíssima, bem posto" Toda essa calma mostra que Walsh aprendeu muito bem a lição do inglês Edward Lear, mestre do gênero que no século XIX apresentou, sem demonstrar uma gota de espanto, uma coleção de homens e mulheres bizarríssimas. No entanto, os limeriques de Walsh têm um toque bem original. Sua particularidade não está apenas ao versar sobre animais ao invés de homens, ou então no uso mais amplo do 5º verso (ao contrário dos limeriques de Lear, cujo quinto verso era muitas vezes um "fechamento" de conteúdo semelhante ao do primeiro. Vide aqui.). A originalidade desses poemas está, entre outras qualidades, nas imagens inusitadas que María Elena Walsh oferece para que o leitor experimente. Vejamos o limerique "Caso as cobras fossem tão gabolas", que propõe com muito humor o exercício de se pensar em cobras bem-vestidas e em pé, elegantérrimas: "Caso as Cobras fossem tão gabolas, se usassem calças, luvas, cartolas e lenços de seda feitos, não haveria jeito: ficariam tão feias como outrora" Há de se destacar, nessa edição da Editora Projeto (que é inacreditavelmente a primeira tradução da Walsh no Brasil, ela que tantos livros e canções infantis compôs), o trabalho da ilustradora Angela Lago, da qual sou fã, tendo já comentado outros trabalhos seus. Como se nota pela imagem da capa, Angela trabalha com muito humor a ideia de zoomorfismo/animalização que há nos limeriques do livro. Afinal, os bichos de Walsh costumam ter atitudes muito humanas: fazem discursos, tocam piano e usam quimono. Tomar os bichos de Walsh como metáforas para as atitudes humanas, algo como "A revolução dos Bichos", romance de G. Orwell, seria possível, mas também seria tornar sério e redutor demais algo que só quer ser puro e simples nonsense - e é nessa simplicidade que está sua riqueza: "No fundo do mar, uma Toninha com vestido de cauda e boininha, que acham que se passa? Nada, só fica em casa chateada e sozinha na cozinha." --- originalmente postado em http://limericando.blogspot.com.br/

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