Encerrando a Trilogia de Alhures do Sul, "Cebola" segue com sua abordagem ao melhor estilo do absurdo e do nonsense que caracteriza a escrita de Manoel Carlos Karam. Com personagens peculiares que se intercalam em suas aparições na obra enquanto também conduzem a(s) narrativa(s) estando presentes em passagens nas quais dialogam, debatem e brigam, o livro se traduz numa agradável experiência que surge do desconforto, desconforto esse por conta do estranhamento pela narrativa não linear, mas que logo o leitor se habitua e tomo gosto pela forma - ainda mais caso tenha seguido a ordem da trilogia. Curitiba é o palco (é mesmo?) onde se passam as histórias contadas em "Cebola". Olavo B., Ema, Manfredo, Silva-João-da, Gumercindo e alguns outros transitam por uma casa (Cebola?) onde eventualmente se topam em alguns de seus cômodos. Seja jogando algum jogo enquanto bebem vinho, seja transando, seja ainda discutindo o que fazer quando do surgimento de um incêndio na casa, as figuras que se apresentam ao leitor dando vivacidade aos enredos tantos tornam a obra singular, evidenciando que a literatura de Karam, assim como o próprio Karam, é uma coisa única. Ganhador do prêmio Cruz e Souza de 1995, "Cebola" cativa e diverte o leitor. Como bem aponta Joca Teiners Terron na orelha do livro, "Cebola nos faz ver de novo o mundo como ele realmente é, um lugar onde as certezas não são mais necessárias" - e isso se evidencia ao mesmo tempo em que se comprova pelas linhas que se fazem presentes na obra, onde se tem uma reflexão desconfortável que surge a partir do cativo nonsense que dialoga com o absurdo em uma história não linear... só lendo Karam para (tentar) entender!


