Conheci o livro por causa da lista da BBC, a famosa The Big Read, na qual este livro encontra-se em 19º lugar como um dos mais queridos de todos os tempos segundo os britânicos. Achei dando sopa num sebo pela bagatela de R$6,00 e, como sempre acontece, foi parar na pilha de livros para ler. Cinco anos depois, aqui estou eu, completamente apaixonada!
A história se passa na ilha Grega de Cefalônia durante a ocupação Italiana e Alemã na Segunda Guerra Mundial, passando pela Guerra Civil Grega e o Terremoto de 1953. Sabendo que haverá tanta desgraça assim, você se imagina separando o lencinho e preparando o estômago, mas o autor narra tudo isso de forma lírica e engraçada ao mesmo tempo. É a perfeita união do trágico com o cômico.
Os personagens são apresentados por capítulos, então quando a gente está se acostumando com um personagem, o autor vai lá e começa a falar de outro. Isso faz com que a leitura demore um pouco pra engatar, mas já te adianto que nada disso é encheção de linguiça. Todos esses capítulos serão costurados, e da metade em diante tudo vai se encaixando. No fim você vai perceber que há uma rica construção de personagens e sentirá como se conhecesse cada um deles.
Um dos capítulos que mais gostei foi sobre o soldado homossexual, que é um ótimo exemplo do que mencionei acima. Você não entende bem o motivo de estar lendo sobre ele, apesar de muito interessante, e quando a história dele se encaixa com as demais, tudo não só passa a fazer sentido, como iremos constatar que a presença dele é importantíssima.
Gostei também de ter tanta mulher forte no livro. Aqui a mocinha não precisa ser salva, ela se salva, e de quebra, salva o mocinho! Essa força é passada de geração em geração e amei esses momentos girl power.
Apesar do título, o Capitão Corelli - assim como seu bandolim - só vai aparecer mesmo quase na metade da obra. E quando aparece ela ganha um brilho a mais. E é lindo a gente acompanhar o surgimento lento do amor entre ele e a Pelagia. Como nem tudo são flores, acompanharemos também os horrores da guerra. A passagem sobre o Massacre de Cefalônia foi uma das mais tristes que já li.
Falei muito dos personagens, mas o autor fez um ótimo trabalho na ambientação também. Adorei ler sobre o dia a dia na ilha e me senti inserida na história.
Duvido muito que você termine o livro sem sentir falta do Dr. Iannis, da Pelagia, do Corelli, do Carlos, do Velisarios, dos meninos do La Scala, da Psipsina e de tantos outros personagens incríveis. O jeito é reler para matar a saudade, fazer o quê.