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    A tarde dum fauno e um lance de dados -

    Stéphane Mallarmé

    Relógio D'água
    2001
    82 páginas
    2h 44m
    ISBN-10: 9727086292
    Português
    3.7
    16 avaliações
    Leram24Lendo0Querem70Relendo0Abandonos0Resenhas2
    Favoritos0Desejados70Avaliaram16

    O poema O Fauno ou A Tarde dum Fauno, poderosa estrutura verbal, em tudo superior ao Lance de Dados, foi recusado pela revista Parnasse Contemporain em 1875, ainda que apresentando métrica e rima “oficialmente aceites”. A sua celebridade dever-se-á, decerto, ao Prelúdio escrito pelo compositor Claude Debussy em 1894, o que é injusto. Organizado em função da estrutura parnasiana que eu tive todo o prazer em trair ao traduzir, nele a natureza e o desejo estabelecem um diálogo de paixão que supera os referentes clássicos e os luminosos sinais do simbolismo que, na época, teriam sido o principal motivo da recusa da sua publicação naquela revista. A sensualidade que atravessa o texto não apresenta qualquer marca mental que nos indique o caminho para o árido Absoluto, nem o Verbo parece resultar dum pensamento impotente em equilibrar-se no espaço vazio da Ideia. (…) O Lance de Dados é, como se sabe, o último poema de Stéphane Mallarmé, publicado em 1897, um ano antes da sua morte no lugar de Valvins, junto a Fontainebleau. Como também é sabido, o que surgiu depois foi publicado contra a vontade expressa do poeta. Estamos muito, já muito longe dos “fogosos impulsos” do Fauno e definitivamente encaminhados para a prosódia da imutabilidade do Nada. Em Abril de 1893, o poeta teria afirmado: “Nos meus últimos dias joguei um pouco da minha vida”. Não se dirá que seja profecia, quando se sabe que ao longo de uma existência de 56 anos, Mallarmé, adulto e literato, sempre tentou jogar a sua vida. Mas, como se diria em gíria futebolística, sempre jogou em casa, ao contrário do “andarilho” Rimbaud. Por isso, nada melhor que, na “dúvida do Jogo Supremo”, forçar a palavra ao intemporal dos cristais perdidos, dos logaritmos e da impotência, tendo em conta que o real, na sua plenitude possível, e ncobre e desvela sem nos consultar, criando em nós a angústia do mistério de todos os acasos dos quais esse real é o único senhor. (…)

    Resenhas (2)Ver mais
    Diego Real picture
    Diego Real09/08/2022Resenhou um livro
    3 (Bom)

    Crítica informal

    Atenção: como se perceberá, não se trata aqui de uma crítica especializada, nem tem a pretensão de ser nada perto disso… É um livro bem malucão! Quanto mais alterada estiver a sua consciência no momento da leitura, mais você vai entrar no mundo proposto. Se estiver sem nenhuma alteração, o texto vai alterá-la um pouco. A tradução para o português de Portugal não atrapalha em nada. Vale a leitura, é rápida. Voltarei a ler em breve.

    14 curtidas

    Estatísticas

    Avaliações

    3.7 / 16
    • 5 estrelas19%
    • 4 estrelas31%
    • 3 estrelas50%
    • 2 estrelas0%
    • 1 estrelas0%
    Stéphane Mallarmé profile picture

    Stéphane Mallarmé

    Autor de uma obra poética ambiciosa e difícil, Mallarmé promoveu uma renovação da poesia na segunda metade do século XIX, e sua influência ainda é sentida nos poetas contemporâneos. começou a publicar seus poemas na revista O Parnaso Contemporâneo (Le Parnasse contemporain), editada na capital francesa na década de 1860, quando ele se mudou para o interior da França com o objetivo de ensinar inglês nas escolas da região. Dos 21 aos 28 anos o poeta viveu com a família em três cidades: Tournon, Besançon (terra de Victor Hugo) e Avignon. Anos depois, Mallarmé conheceria os poetas Rimbaud e Paul Verlaine. Entre setembro e dezembro de 1874, Mallarmé dirigiu e escreveu La Dernière Mode. Gazette du Monde et de la Famille, uma revista feminina. Sob os pseudônimos de Marguerite de Ponty,

    12 Livros
    31 Seguidores
    Île-de-France, França

    Stéphane Mallarmé