"Outra volta do parafuso" é uma das mais famosas e influentes histórias de fantasmas, escrita no séc. XIX pelo estadunidense Henry James. Fala de uma relação perturbadora entre uma preceptora e duas crianças sob sua proteção. Estas adoráveis crianças, misteriosamente, mantêm contato com duas aparições malignas, cujo único objetivo é levar todos à perdição.
O ponto mais notável da história é o questionamento da preceptora (que também é a narradora) relativo à própria sanidade: os fantasmas são reais ou imaginários? As crianças sabem da existência deles, ou não?
Parece clichê, mas não é. Nem mesmo o leitor tem uma ideia exata do que está acontecendo, o autor não põe as cartas na mesa, não deixa nada explícito, ele só sugere, te enche de dúvidas. Essa obra é um alvo fácil de debate de teorias, muitos críticos literários (e leitores também) deram seu parecer.
O terror em A volta do parafuso é sútil e muito subjetivo, a narradora te leva atráves de deduções acerca dos acontecimentos na mansão e do comportamento das crianças. Isso resulta numa história sensorial, cheia de mistério, mas monótona, sem grandes acontecimentos (exceto pelo final devastador).
Henry James tem uma prosa sofisticada, levemente prolixa e um estilo pomposo. A preceptora narra a história com certa afetação, ela é muito afável e melodramática. Esses detalhes trazem uma harmonia para a história; o horror de algumas situações acaba sendo filtrado, não chegando ao leitor com toda sua intensidade.
Como um fã do gênero horror, fico triste por "Outra volta do parafuso" não ter me agradado tanto quanto eu gostaria, é um livro que merece uma releitura. Porém, dada a inegável relevância da obra, não posso deixar de indicá-la.