O livro mais sensível e mais verdadeiro que já li!
O apito do trem é uma estória encantadora que nos trás as dificuldades da vida em forma de prosa poética e pouco sensata, e como já no prefácio feito por Antonio D’elia “…é um livro lírico. Perigosamente lírico”. Em resumo, o livro gira em torno de uma família perturbada com dificuldades financeiras, que precisaram deixar a casa onde moravam para fugir de seus credores e começar a deixarem o orgulho de lado para aceitarem a ajuda do Major, pai de D. Cotinha. “A PAISAGEM INCUTIA-LHE DOÇURA E TRISTEZA NO CORAÇÃO, UM MISTO DE TERNURA E RELIGIOSIDADE, SENTIMENTO ESQUISITO QUE O FAZIA LEMBRAR-SE DE DEUS. E SENTIA, ENTÃO, MEDO DA MORTE, MEDO DO DESCONHECIDO”. O personagem principal dessa trama é Nestor, o filho mais novo do casal, o mais sensível, menino curioso e o mais compreensivo, símbolo da infância. Conforme a leitura se segue, conseguimos entrar na vida do menino de tal jeito, que se consegue crescer e amadurecer junto com ele. “SENTIA O SANGUE QUENTE, CORRENDO NAS VEIAS. ERA UMA PREDISPOSIÇÃO PARA A BONDADE, PARA O SACRIFÍCIO, UM DESEJO IMENSO DE SER DEDICADO, DE SER PERFEITO E DE INSPIRAR ADMIRAÇÃO”. Durante a leitura, conseguimos sentir a aflição do pai que tanto trabalha por querer bem aos seus filhos e a sua esposa. Sentimos a turbulência do jovem Armando, filho mais velho do casal que no meio das turbulências da vida, se perde nas bebidas, e no meio das mulheres da vida. Prezamos, mesmo que pouco, pela perseverança de Vitor, o filho do meio, que mesmo novo arranja um serviço numa Farmácia da cidade para ajudar ao pai nas despesas. Sentimos certa repugnância pela mulher, que por mais que cuidando de sua mãe mórbida, repudia o próprio marido, culpando-o dos infortúnios que a vida lhe trouxe. Sentimos também pena de Benedita, uma quase criada, filha adotada do casal, que sofre com o ardor das pancadas e do amor repreendido. Há as dores de amor de Beatriz, os desalentos filosóficos e depressivos do Dr. Lauro, as dores e sofrimento de D. Glorinha à beira da morte, e os excessos de raiva e poder do Major. “… OS HOMENS NÃO SÃO FELIZES, NEM NAS CIDADES, NEM NOS CAMPOS. OS PENSAMENTOS PROCESSAM-SE NAS SUAS CABEÇAS, CRIAM VONTADES, DESEJOS, RECALQUES, NEUROSES…” Um dos momentos que me deixou de coração apertado foi um pensamento do menino Nestor logo após descobrir um segredo do Dr. Lauro, o qual é o grande amor de Beatriz, onde ele indaga sua fé e o porquê de no mundo haver tantos desencontros e injustiças. Alem de outros infortúnios. “… A PRIMEIRA INDAGAÇÃO MARCA O INÍCIO DA MORTE. TODOS NÓS À MEDIDA QUE AVANÇAMOS EM ANOS, ESTAMOS MORRENDO, DE AFLIÇÃO EM AFLIÇÃO”. Esse livro deve ser lido com calma, sentado numa varanda ou embaixo da sombra de uma árvore, no silencio, ou ao som dos passarinhos de algum lugar. É um livro bem reflexivo e apaixonante. Por ser tão curto, mas tão grande. Se tiverem a oportunidade… É uma excelente leitura. “ TODOS NÓS, UM DIA, OUVIMOS UM APITO DO TREM”.
