A escrita de Nietzsche me lembrou muito a de Clarice Lispector. Não é idêntica, mas há algo de comum no pensamento dos dois. E, assim como eu amo o pensamento de Clarice e o modo como ela os expressa, eu terminei este livro sentindo o mesmo sobre Nietzsche.
Nietzsche, neste livro, condena qualquer indivíduo ou povo que, ao analisar a História, se agarra nela de diferentes formas, ao invés de usar o passado como motor para o presente. Nietzsche critica este acúmulo de conhecimento que nunca se transforma em ação, mas serve somente para fins vaidosos. Conhecimento que não leva ao prazer, mas ao ostracismo. E o "estudar a cultura" impede de "fazer cultura".
Comparativamente, Clarice escreveu sobre o que acreditava: "A palavra é meu domínio sobre o mundo".
A palavra, a cultura, a história, segundo o próprio Nietzsche, devem ser estudados, "não como o passeante mimado no jardim do saber", mas "para a vida e para a ação".
Obviamente, o livro é muito mais profundo, complexo e rico em argumentos do que esta resenha fez parecer. Posso dizer que me agradou demais lê-lo. Assim como acontece quando leio Clarice, lendo este livro eu pude encontrar respostas para indagações internas e, ao mesmo tempo, dar início a novos caminhos mentais que não havia alcançado racionalmente antes.