Maquiavel só queria se salvar dos Medici
E acabou escrevendo um dos maiores símbolos da teoria do Estado. A concepção do livro em si é um exemplo excelente da filosofia maquiavélica: o homem como um mentiroso, que mascara a sua verdadeira natureza de acordo com a necessidade das circunstâncias (Maquiavel, um republicano, fez-se adepto do estatismo para sobreviver à família Medici). Sobre a obra, o ideal do Príncipe é muito interessante. Colocar a nação acima de tudo é uma tarefa que poucos déspotas puderam realizar, sobretudo por conta de seus incontáveis e pueris desejos individuais. Os comentários de Napoleão Bonaparte (pelo menos nessa edição) nos ajudam a compreender a extensão da obra na realidade sensível. Por várias vezes, o francês contradiz Maquiavel (enquanto general, cônsul ou imperador) para depois se arrepender, já exilado em Elba.

