A mais conhecida obra poética de Guilherme de Azevedo, um dos “poetas revolucionário” da chamada “Geração de 70″ (de 1870), que é no fundo uma colectânea dos seus melhores poemas. As suas poesias encarnam o novo realismo satírico de inspiração baudelairiana no país. Obra poética que marca bem a ruptura da poesia sentimentalista e romântica para a “Poesia de Combate”, assim chamada pela “Geração de 70″ ou “Geração de Coimbra”, que foi um movimento académico de Coimbra, do século XIX, que veio revolucionar várias dimensões da cultura portuguesa, da política à literatura, sobretudo com a introdução do “Realismo” literário. Quando em 1874 saiu a “Alma Nova”, o livro despertou uma grande curiosidade e uma certa polémica nos círculos literários. Tal como o próprio título da obra já dava a indicar, esta exponha esse anseio por uma literatura colocada ao serviço das ideias democráticas e revolucionárias defensoras de uma nova ordem social que despontam um pouco por toda a Europa. Disse Ramalho Ortigão assinalando no Jornal do Comércio (13 de Abril de 1882) sobre a obra: «A Alma Nova abriu caminhos inexplorados até então, dentro da nossa poesia.» Por sua vez, Antero de Quental (figura tutelar da Geração de 70 e a quem Guilherme de Azevedo dedica o livro) escreve: «Como se pode ver claramente, A Alma Nova é um livro de natureza polémica, combativa, programática. Os versos de Guilherme de Azevedo, ao lado dos de outros poetas, seus “companheiros da luta”, serão “guerreiros, formando os batalhões da bélica avançada”, guerreiros empenhados numa luta de vida ou de morte, que não descansarão enquanto não transpuserem “os fossos derradeiros que separam de nós os braços justiceiros da serena Verdade”, e enquanto não ficarem “preso como fios de luz, ao manto da Justiça!”» Graças à “Alma Nova” Guilherme de Azevedo, um quase desconhecido autor e jornalista, transformou-se assim, de um dia para o outro, um poeta consagrado e o seu livro conta-se hoje como entre os livros de versos que mais contribuíram para fixar o estilo poético da sua época.
Alma nova -
Guilherme de Azevedo
Typographia Sousa & Filho
1874
125 páginas
4h 10m
Português
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