A veinte años del triunfo esperanzador de la revolución nicaragüense y a casi diez de su institucionalización y derrota, uno de sus protagonistas centrales, Sergio Ramírez, relata con oficio de escritor la historia existosa y paradigmática en un tiempo, imperfecta y trágica en otro, del decenio sandinista, de sus antecedentes y de su desenlace. Ofrece un enfoque crítico de pasajes muy significativos en la historia de América Latina, y una mesura y objetividad en el relato a las que no afectan ni la vivencia personal —muchas veces desgarradora— ni la aún estrecha perspectiva histórica.
Adiós Muchachos - Una memoria de la revolución sandinista
SERGIO RAMÍREZ
história da revolução sandinista contada por um dos seus.
A Revolução Sandinista foi um movimento liderado pela Frente Sandinista de Libertação Nacional (FSLN), contra a dinastia dos Somoza, na Nicarágua, uma das ditaduras mais corruptas e cruéis da história da América Latina. Vitoriosos em 1979, os sandinistas governaram o país até 1990, quando foram derrotados, na eleição presidencial, pela União Nacional de Oposição (UNO). O autor, Sérgio Ramírez, foi membro da Junta de Governo de Reconstrução Nacional que assumiu o país após o triunfo da revolução de 1979 e foi vice-presidente de Daniel Ortega em seu primeiro mandato (1985-1990). O autor é um dos mais importantes dissidentes sandinistas. Em janeiro de 1995, anunciou que deixaria a militância na Frente Sandinista e declarou publicamente seu rompimento com Ortega e desde então se dedica, inteiramente, ao seu trabalho como escritor. Entretanto, destaca-se por ser um dos críticos mais certeiros do projeto autoritário do casal Ortega - Murillo. Em Adiós Muchachos, Ramirez conta sobre os difíceis anos de luta que custaram a vida e a liberdade de milhares de nicaraguenses que, heroicamente, enfrentaram a Guarda Nacional, sofrendo torturas, exílios e muitos anos de prisão. Com muita objetividade mas sem perder a veia poética, o autor fala sobre a felicidade vivida pela maior parte dos nicaraguenses nos primeiros anos da revolução, a esperança na grande transformação da Nicarágua num país moderno, livre e democrático e o orgulho de poderem tornar real o trabalho para erradicação do analfabetismo, transformando os quartéis em escolas, a tão sonhada reforma agrária, com a distribuição das terras e fábricas expropriada dos Somoza e seus cúmplices aos setores mais empobrecidos da sociedade. Entretanto fala também sobre o seu desencanto com a divisão entre os sandinistas, e a ascensão de um delirante Daniel Ortega que se converteu de um dos principais líderes de uma revolução contra um governo cruel e tirânico à um ditador aos moldes de Somoza e que hoje persegue os seus companheiros de luta. Na ocasião em que Ramirez escreveu esta obra e mesmo após o seu relançamento em 2011 ainda não se imaginava o patamar em que chegaria o governo de Ortega que, atualmente, aprisiona, persegue, manda pessoas para o exílio, coloca ex companheiros de revolução em celas de isolamento, sem direito à advogados ou contato com seus familiares e prende candidatos à presidência. Em setembro deste ano, o próprio Ramirez foi atingido pela perseguição desenfreada aos opositores de Ortega quando o Ministério Público, controlado pelo casal presidencial, assim como todas as instituições do país, acusou o escritor, um dos mais importantes autores ibero-americanos vivos, de “lavagem de dinheiro, bens e ativos; menosprezo pela integridade nacional e provocação, proposição e conspiração”. Augusto César Sandino se levantou contra uma potência mundial que invadiu, militarmente, o seu país. Com poucos homens e pouco armamento defendeu a Nicarágua da intervenção estrangeira. O grande desgosto é ver pessoas desinformadas (de direita e esquerda) ligarem a figura de um homem que traiu à revolução, tomou o poder e desfruta de uma riqueza que não conquistou, à um governo sandinista. A coragem de muitos jovens revolucionários que arriscaram suas vidas para libertar o povo da opressão é um legado histórico que nunca será apagado e, se vilanizar a revolução e os revolucionários colocando-os todos na mesma "cesta" de Ortega, é um pensamento equivocado; pensar que um discurso anti-imperialista e de apoio aos mais pobres basta para validar um posicionamento de esquerda é ainda pior. A empatia e a solidariedade são importantes, mas é preciso denunciar quando certos líderes que antes defendiam ideias humanitárias se convertem em algozes de seu povo.
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