¿Qué es lo que hace que la gente agarre un fusil y comience a matarse? El fiscal Félix Chalcatana se ve envuelto en la investigación del primero de una serie de sanguinarios asesinatos. En un Perú amenazado por la guerrilla y los avances militares propios de una afianzada política dictatorial, para el fiscal la línea de investigación apunta hacia un solo camino: Sendero Luminoso. Al ritmo de un intenso thriller, el fiscal va perdiendo la poca inocencia que le quedaba al percatarse de los horrores que puede cometer el ejército y la policía de su país. A lo largo de su investigación, Félix sostiene conversaciones con testigos y elementos clave que, tras haber hablado con él, mueren torturados y asesinados. Hacia el final de la historia la obra presenta dos giros de tuerca que convierten en inocente y víctima a quien la trama apuntaba como culpable y desenmascaran una verdad todavía más perversa con la confesión del Comandante Carrión.
Abril rojo -
Santiago Roncagliolo
Abril Vermelho, de Santiago Roncagliolo
Alfaguara, 330 páginas, Lima, 2006. Ganhador do prêmio Editora Alfaguara em 2006, o livro Abril Vermelho, de Ricardo Roncagliolo logo chamou-me a atenção por sua capa de um vermelho intenso tendo, no canto, uma máscara de dentes afiados já anunciando que não seria um livro suave. Comprei-o em uma livraria em Lima, com ansiedade para conhecer uma visão literária que privilegiasse aspectos da vida dos peruanos e de seu país. Uma feliz coincidência no início da leitura: o enredo do livro se passa durante a Semana Santa, mesmo período do início da minha estadia. Saboreei com prazer as descrições das demonstrações de fé, procissões, festas, encontrando na minha viagem situações similares às descritas, dando voz à emoção que senti ao acompanhar por um trecho a procissão da Virgen de La Alegria que parecia dançar, apenas com um movimento sutil do ombro dos que carregavam o pesadíssimo andor. A alegria parecia estar toda com a Santa, indo ao encontro de Jesus Ressuscitado que a aguardava na Catedral. Mas no livro Abril Vermelho as ocorrências nesse período de devoção não são nada santas: uma série de assassinatos cruéis marcam os dias mais importantes dos festejos da Semana Santa na cidade de Ayacucho. Quem introduz o leitor no cotidiano da cidade de Ayacucho, é o fiscal distrital adjunto Felix Chacaltana Saldívar – e é assim, com nome e título que ele gosta de apresentar-se. Tudo leva a crer que os assassinatos sejam punições violentas realizadas por membros da organização Sendero Luminoso – há cerca de dez anos esse grupo guerrilheiro transformou diversas regiões do país em palco de guerra em que todos saíram perdendo e, por outro lado, a atuação do Exército nacional não ficou atrás em violência ao reprimir a atuação do Sendero e de supostos simpatizantes. História recente do Peru cheia de pontos doloridos na lembrança da população, pano de fundo para os mistérios que se sucedem em Ayacucho. Nas palavras do autor, “Siempre quise escribir um thriller, es decir, um policial sangriento com asesinos em serie y crímenes monstruosos. Y encontre lós elementos necesarios em La historia de mi país: una zona de guerra, una celebración de la muerte como la Semana Santa, una ciudad poblada de fantasmas.Se puede pedir más?” Acredito que este é um livro que mereceu o prêmio Alfaguara. Aos meus olhos de turista, a leitura de Abril Vermelho descortinou nuances do povo acolhedor e do país bonito de várias maneiras. O Trecho Predileto é uma conversa entre o fiscal Chacaltana e o ocupado padre Quiroz, que apresenta a fé do povo peruano, com forte tradição andina pré-hispânica. Que lê é a amiga Priscilla Neiva. Trecho Predileto, p. 198/199, diálogo entre o padre Quiroz e o fiscal distrital adjunto Félix Chacaltana Saldívar. -- [...] O carnaval é originalmente uma celebração pagã, a festa da colheita. E na Semana Santa também ressoam ecos da cultura andina anterior aos espanhóis. É porque não tem uma data fixa, como o Natal, porque depende das estações. Como eu lhe disse da vez anterior, os índios são insondáveis. Por fora, cumprem os ritos que a religião lhes exige. Por dentro, somente Deus sabem o que pensam. -- O fiscal observou a todos os mendigos que se acumulavam nos bancos do restaurante popular, presididos por uma imagem de Cristo ensanguentado, com a coroa de espinhas. Um mendigo aproximou-se e pediu uma benção que o sacerdote lhe concedeu. O fiscal comentou: -- A mim me parecem muito devotos, padre Quiroz. -- Honestamente, não creio que todos os camponeses que chegaram a Ayacucho na Semana Santa saibam exatamente o que significa o que fazem. E isso que esta é a Semana Santa com mais tradição no mundo. Você sabia disso? Esta e a de Sevilha. Ayacucho guarda a recordação do cristianismo mais antigo. A quinta-feira das Dores, por exemplo, já não se celebra na maior parte do mundo. -- E então, que significado atribuem os camponeses à Semana Santa? -- Suponho que é parte de seu ciclo, simplesmente. É o mito do eterno retorno. As coisas passam uma vez e logo voltam a passar. O tempo é cíclico. A terra morre depois da colheita e logo renasce para que seja semeada. Somente disfarçam a Pachamama com o rosto de Cristo. Conheça os livros do acervo http://PorTodoCantoLivros.blogspot.com e http://CenaDoCrimeLivros.blogspot.com Para compra de livros e pagamento por cartão de crédito, pesquise no acervo completo em http://www.portodocantolivros.estantevirtual.com.br e, ainda, o http://www.portodocantolivros.livronauta.com.br
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