Herzog
Herzog Saul Below EUA, 1961 Tradução: José Geraldo Couto Ed. Companhia das letras Setembro de 2011 Saul Bellow (Lachine, 10 de Junho de 1915 — Brookline, 5 de Abril de 2005) foi um escritor judeu nascido no Canadá e naturalizado cidadão estadunidense. Recebeu o Nobel de Literatura de 1976. Premiado com o Guggenheim fellowship, viveu em Paris, onde escreveu The Adventures of Augie March. Bellow dominou o cenário da ficção americana, em especial o do romance judeu-americano no pós-guerra. Seu trabalho expressa a ascensão da sensibilidade dos imigrantes judeus a um lugar de poder e visão na América urbana contemporânea, bem como a angústia moral daqueles que se viram como sobreviventes do Holocausto - como Sammler, herói de seu livro Mr. Sammler's Planet. Filho de imigrantes russos, nascido no Canadá, Bellow fixou-se em Chicago ainda criança, e tornou-se seu grande cronista, com livros como Humboldt's Gift. Seu trabalho retrata cinco décadas de experiência americana, da depressão dos anos 1930 ao novo mundo neobizantino de poder, riqueza, egoísmo arrogante e divisão social na América, no qual a inteligência deve lutar contra o materialismo. Bellow resume isso em seu mais brilhante romance, Herzog, que é o retrato de um intelectual do final do século 20, pintado de forma tragicômica, discutindo a sorte com os grandes filósofos da modernidade. Em uma época que ele vê como massificação social, luxo desordenado, individualismo fútil e falência cultural, seu trabalho e seus heróis lutam para chegar a um humanismo contemporâneo. O pensador e professor universitário Moses Herzog é um dos mais complexos e fascinantes personagens de Saul Bellow. Na meia-idade, em crise na profissão, traído pela mulher, que o trocou por seu melhor amigo, ele sente sua sanidade vacilar. “Se estou fora do meu juízo, melhor para mim”, diz ele, na primeira linha do livro. É um “brincalhão sofredor”, como diz o crítico e escritor Malcolm Bradbury. Um homem que faz do sofrimento uma arte, quando não uma estranha forma de diversão. Às voltas com uma fogosa nova namorada, com a tentativa inglória de conquistar a guarda da filha pequena e com um livro de filosofia que nunca termina, Herzog escreve cartas (jamais enviadas) a parentes, amigos, inimigos e grandes personalidades vivas ou mortas, como o presidente Dwight Eisenhower e o filósofo Friedrich Nietzsche. A narrativa multifacetada de Saul Bellow, de construção engenhosa e andamento notavelmente fluente, parece oscilar com a mente do protagonista. Avançando e recuando no tempo, entremeando o relato objetivo da ação às cartas imaginárias de Herzog, passando sem cerimônia da terceira para a primeira pessoa, a prosa do autor ao mesmo tempo envolve, inquieta e diverte. Publicado originalmente em 1961, Herzog consolidou a posição de Bellow como um dos grandes escritores da América e se tornou, ao longo de meio século, um clássico indiscutível da literatura contemporânea. Na trajetória tragicômica de seu anti-herói americano estão presentes em alto grau as grandes virtudes do autor: a habilidade em alternar diálogos vívidos e pensamentos sutis, a capacidade de observação das neuroses de nossa época, o humor amargo, a ironia e, mais que tudo, a profunda humanidade. A impressão que se tem é que os pensamentos do protagonista são os nossos; são nossas inquietações. e sobretudo, nossa realidade. A fina ironia com que ele trata as pessoas as seu redor, demonstra claramente sua angústia própria e indelével. A história, em síntese é a surpresa do homem frente ao absurdo da realidade e da vida cotidiana/moderna. a aberração, se existe, é fruto da própria existência humana -x-x-x-x-x-

