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    Guia de ruas sem saída -

    Joca Reiners Terron

    Edith
    2011
    256 páginas
    8h 32m
    ISBN-13: 9788590393580
    Português Brasileiro
    3
    19 avaliações
    Leram35Lendo0Querem41Relendo0Abandonos2Resenhas4
    Favoritos1Desejados41Avaliaram19

    Eu não sei mais quem eu era no início desta história. Hoje em dia compreendo apenas que minha situação não era muito diferente das que se encontram as histórias sem pé nem cabeça. Sem tronco nem meio. Sem começo nem fim. Por exemplo: não era muito diferente de agora. [...] Eu era nada além de um osso qualquer corroído pela poeira do Universo. Um cisco. Uma coisinha de nada. Um zero. Um ponto final. Um suspiro ínfimo. Um fim. Por exemplo: O FIM. No início desta história eu já estava morto e não sabia. É isso. E você sabe: o início é apenas o começo do fim.

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    Aguinaldo Medici Severino picture
    Aguinaldo Medici Severino23/03/2012Resenhou um livro
    3 (Bom)

    guia de ruas se saída

    Num romance onde texto e desenhos se alternam, Joca Reiners Terron conta uma história curiosa. Trata-se de uma reflexão sobre a morte. Algo dela lembra coisas do Naked Lunch (do livro de Burroughs e do filme do Cronenberg). Se é que eu entendi bem um sujeito sai da cadeia e no ônibus que o leva para uma grande cidade tem uma idéia original. Para entreter os dois filhos de uma mulher que está sentada a seu lado ele inventa um super-herói, um personagem de histórias em quadrinhos, que ele chama de homem escada. A idéia se revela promissora. Ele consegue editar um livro com este personagem por uma editora importante. Faz muito sucesso, torna-se uma celebridade, casa-se com uma mulher bonita, tem uma filha e cuida de um gato. Um dia, ao voltar para casa após ficar vagabundeando por bares da cidade, vê um prédio em chamas e assiste, aterrorizado, a morte daquela mulher e os dois filhos que ele conheceu quando saiu da cadeia (e que lhe inspiraram seu super-herói). Ele torna-se uma pessoa violenta, abusa da bebida e de sexo casual. Acaba sendo abandonado pela mulher. Já bastante debilitado ele descobre que está com problemas sérios de saúde (ele expele chips de computador junto com as fezes). O que escrevi acima corresponde apenas a um quarto do romance. As outras três quartas parte da história envolvem a narrativa da consciência de um outro sujeito, que está a espera de um transplante de fígado no exterior. Ficamos sabendo que o cartunista da primeira parte é o doador do fígado, não exatamente um doador voluntário. Aparentemente ele foi enganado por médicos e levado a uma clínica que torna sujeitos idiotas como ele matéria prima do mercado de tráfico de orgãos. A consciência deste cartunista volta a se manifestar através da lembrança de suas misérias e desgraças, enquanto seu corpo é preparado para o transplante. Outros orgãos de seu corpo são retirados, veremos depois. A memória do super-herói, homem escada, se esvai com ele. Descobrimos que o antigo empregador do cartunista (o dono da editora) é provavelmente dono da clínica onde foi feito o transplante (e provavelmente se relaciona com sua ex-mulher e sua filha). Os bandidos sempre ficam com a mocinha no final dos bons filmes. O sujeito transplantado (se é que o foi), morre. É cremado, suas cinzas esquecidas pela mulher em um parque. Sua mulher lamenta-se um tanto, cumpre bem o papel de viúva inconsolável, mas suas lágrimas secam depressa, a perda do marido não é exatamente um fardo. É possível encontrar graça na morte (principalmente se não é a sua). A história de Joca Terron se defende bem e leva o leitor a pensar. Curiosamente, ontem mesmo ele publicou um texto (que também é parte de um romance) corajoso e nada piegas sobre seus problemas de saúde. Parece que de alguma forma as vicissitudes de seus personagens já o assombravam de alguma forma. Talvez ele, diferentemente de seus protagonistas, antecipasse o quanto ficção e realidade podem trocar de sinais, pois seu narrador grafa logo no início do livro: "Somente se aquilo que foi imaginado aconteceu realmente", em resposta a uma pergunta sobre as lembranças serem ou não matéria inventada. Também a realidade tem de ser inventada (já nos disse a gloriosa Isak Dinesen - aprendi isso com Javier Marías). Espero que Joca Terron continue em forma e pronto para nos oferecer mais de seus instigantes livros. [início 23/03/2012 - fim 25/03/2012] "Guia de ruas sem saída", Joca Reiners Terron, desenhos de André Ducci, São Paulo: Selo Edith, 1a. edição (2011), brochura 15x20,5 cm, 256 págs. ISBN: 978-859039358-0

    5 curtidas

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    Avaliações

    3 / 19
    • 5 estrelas0%
    • 4 estrelas32%
    • 3 estrelas53%
    • 2 estrelas5%
    • 1 estrelas11%
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    João Carlos Reiners Terron

    Joca Reiners Terron é um poeta, prosador, artista gráfico e editor brasileiro. Radicado em São Paulo desde 1995, Joca estudou Arquitetura na UFRJ e formou-se em Desenho Industrial na UNESP. Publicou os livros de poemas Eletroencefalodrama (1998) e Animal anônimo (2002). Seus livros de prosa são: Não há nada lá (2001), Hotel Hell (2003), Curva de Rio Sujo (2004) e Sonho interrompido por guilhotina (2006). Foi editor da Ciência do Acidente. Seus textos integram diversas antologias nacionais e estrangeiras, como Na virada do século - poesia de invenção do Brasil (2002), editada por Frederico Barbosa e Claudio Daniel, Rattapallax, editada nos EUA (2002), e Tsé=tsé, editada na Argentina (2000). É editor do blog: Sorte&Azar S/A Explorem: http://jocareinersterron.wordpress.com/about/

    18 Livros
    56 Seguidores
    Mato Grosso , Brasil

    João Carlos Reiners Terron