Não vou mentir pra vocês. A leitura deste livro não foi simples. Mas em compensação, mostra um novo modo de construir uma história. Na verdade, quase uma desconstrução. Pra quem está acostumado a leitura fluente, regrada e simples, vai encontrar uma certa dificuldade ao comçar a ler, Desfiladeiro. É necessário até um pouco de força de vontade. Mas! O melhor é que isto é recompensado.
O livro é uma incógnita constante; É a busca de um personagem que vive em interrogações sobre seu verdadeiro "eu". E o próprio, através de uma construção pessoal busca mostrar isto no livro. A obrigação de fazer sentido e de construir uma imagem constante é expressada a modo do personagem, mostrando ao leitor que nem sempre se faz necessario o sentido puro e regrado para expressar o que é o algúem. A busca de si mesmo e de um modo unico de expressa-lo é o carro chefe desta nativa no mínimo, diferente de tudo que ja li.
Cada parágrafo faz você refletir sobre a escolha de cada palavra, ponto ou desordem. E quando você pensa que tudo é um amontoado de palavras sem sentido, você para, pensa e finalmente consegue enxergar as conexões que estavam ali de certo modo ocultas, mas escancaradas ao "eu" que as escreve.
O livro é bonito e eu sou apaixonado pela fotografia da capa (Serra do mar - da própria Roberta Ferraz). Tem apenas 108 páginas, em uma diagramação simples. Páginas amarelas, as quais julgo melhor para leitura e até mais bonitas; O único problema é o tamanho da fonte, que é pequena comparada a qualquer outro livro.Torna um pouco cansativo forçar a visão para entende-las e não se perder no meio de tanto texto.
Em suma, um livro muito bom, mas com um nível de entendimento mais complexo que os outros, mas nem por isso deixa de ser uma boa opção de leitura.
Minha nota: 3/5 - O tamanho da fonte pesou na minha avaliação. E muito.