Ela se chamava Barbara Gibbons e inventara um sobrenome para o filho (de pai desconhecido): Peter Reilly. Era a personalidade mais excêntrica da pequena cidade de Canaã, no Connecticut. Mulher inteligente, que já fora bonita, com um forte senso de humor, parecia ter perdido o rumo na vida. Bebia demais, tinha atritos com vizinhos e levava os amantes para a casa mísera e desolada onde morava com o filho. Na noite de 28 de setembro de 1973, Peter encontrou o cadáver de Barbara no chão do quarto. Ela havia sido espancada e horrivelmente retalhada. Imediatamente a polícia suspeitou de Peter. Para obter uma confissão inverossímil, mas que acabou sendo aceita como prova contra ele, o policial que o interrogou soube se aproveitar de sua carência de apoio numa figura paterna. Depois que Peter não se saiu bem no teste do polígrafo, foi impedido de dormir e de comer durante 26 horas e acabou dizendo à polícia o que ela queria ouvir. Certos momentos da transcrição desse interrogatório rivalizam com os capítulos mais angustiantes de Koestler ou Orwell. Peter foi julgado e condenado pelo assassinato da mãe. Então aconteceu o inesperado e sensacional: a gente da cidade, inicialmente revoltada contra o suposto assassínio, indignou-se contra a confissão forçada e deu seu apoio ao rapaz. A publicação de um artigo de Joan Barthel no The New York Times atraiu a atenção nacional para o caso, e personalidades com Arthur Miller, Mike Nichols e William Styron levantaram-se em defesa de Reilly. A campanha teve tal repercussão que Peter foi beneficiado com a oportunidade de um novo julgamento.