De modo geral, Expresso 600 consegue executar sua proposta: propor a 54 autores a escrever narrativas completas em 600 caracteres (em formato de microcontos), reunindo diferentes vozes de escritores brasileiros. É uma iniciativa interessante guiada pelo Edson Rossatto para dentro desse universo de microcontos no Brasil.
Esse formato de narrativa fornece identidade pro livro, mas deixa uma sensação de falta de um tema central mais forte.
Veja que executar não significa acertar.
Ao decorrer da leitura muitos contos realmente pareciam uma degustação de um bom expresso; uso certo de palavras, uma boa entrega de narrativa, com formato e estímulo dentro da proposta. Já outros, senti que os textos eram o contrário disso, pareciam de certa forma apelar a temas que chocam (como suic****, várias vezes citados) para atrair o leitor e mantê-lo estimulado pela leitura ou quando, os que dependiam de interpretação pesada, com pouca estrutura deixando mercer de simbologia (o que eu achei preguiçoso), o que dá impressão de ter sacrificado sua expressão para caber nos limites do desafio. Não comecei esse livro esperando uma narrativa sempre consistente, mas escrever microcontos é um desafio bastante exigente e foi perceptível a diferença de qualidade do mais forte pro mais fraco ao folhear cada página.