Originalmente escrito no formato de conto, “Vermelho, Vivo” nos apresenta a Clara Martins, uma personagem com um passado marcado pela solidão, e mesmo na sua vida monótona na agencia do banco ela procura a liberdade interior, desta forma é levada pela tentação em uma loja de departamento e rouba, surpreendida posteriormente pela segurança, ela irá reencontrar o passado, levando a diversas reflexões.
⠀⠀⠀⠀
Como narrativa, a proposta é bem direta e simples, mas acredito que a Graphic Novel nos leva a ver além do apresentado, mesmo com os diálogos, temos os “balões” que mostram todos os pensamentos da Clara, e é aí que a proposta é vivida, por trazer temáticas de forma subjetivas como ansiedade, angustia, medo e até “claustrofobia” visto que a personagem está presa no seu interior.
⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀
Eu gosto dos traços quentes e super demarcados que a GN recebeu, é um tratamento que já nos faz pensar em uma proposta densa, seja pelo traço quanto pela paleta de cores, nesse aspecto a narrativa conversa com a arte, nos mostrando camadas que não precisam ser ditas da personagem.
⠀⠀⠀⠀
Como resolução, acredito que o conto/GN não cabem de forma completa na realidade, pelos fatos, mas o simbolismo está no que o objeto a ser roubado representa e não apenas nele literalmente, assim a consequência do ato quanto como o contraste da personagem que se mostra forte e decidida na ilustração mas apresenta uma confusão mental, o que me faz crer que a ideia em mostrar graficamente como em textos, se complementam, e me fazem gostar da experiencia.
⠀⠀⠀⠀
Gosto por fim das questões e dos impactos que isso gera na personagem e como algo silenciado no passado parece gritar no seu futuro, além de trazer a relação abusiva de poder, objetificação feminina e principalmente questões psicológicas, aspectos bem contemporâneos trabalhados na narrativa.