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    As Baianas -

    Mayrant Gallo

    Casa do Verbo
    2012
    152 páginas
    5h 4m
    ISBN-13: 9788561878108
    Português Brasileiro
    3.7
    16 avaliações
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    "Você já foi à Bahia, nego (a)? Eu já fui muitas vezes, para fins profissionais ou fins dorivais de pura vadiagem. Nenhuma visita, porém, foi tão afetiva e esclarecedora como a que fiz ao ler este As Baianas. Isso é que é viagem" (Xico Sá) A obra reúne seis contos, ambientados na Salvador contemporânea, que tem mulheres como protagonistas. Inspira-se em "As Cariocas", de Sérgio Porto, e traz seis olhares distintos sobre cenários e personagens igualmente peculiares.

    Resenhas (1)Ver mais
    Tinho Silva picture
    Tinho Silva08/04/2020Resenhou um livro
    4 (Muito bom)

    As Baianas - Carlos Barbosa, Elieser Cesar, Gustavo Rios, Lima Trindade, Mayrant Gallo e Tom Correia

    Inspirado no livro “As cariocas” autoria de Sérgio Porto, obra que destaca a originalidade das mulheres do Rio de Janeiro. Em “As baianas”, essa originalidade se mantém e somos levados à um passeio pelos bairros da cidade de Salvador, apresentando aos seus leitores as diversas personalidades de mulheres soteropolitanas. O Livro de contos que nasce de uma brincadeira entre seis amigos escritores baianos, Carlos Barbosa, Elieser Cesar, Gustavo Rios, Lima Trindade, Mayrant Gallo e Tom Correia, nos revela mais uma vez o talento literário que vem da Bahia. Os contos e seus respectivos autores são: A BONNIE DOS BARRIS – Mayrant Gallo Ela chegou a passar o verão e, como um dardo incandescente, aninhou-se em seu peito. Ele pensou que fosse magia ou sonho, mas era amor: uma palavra que em muitos idiomas tem só duas sílabas; noutros, três: triângulo. Todavia, se houve um triângulo, foi com o mundo... A GUERREIRA DA LAPINHA – Elieser Cesar Quitéria se vestiu como a heroína da história para desfilar no Dois de Julho. Acordou cedo, tomou café requentado com um resto de biscoito amolecidos pelo mofo velho do armário, pôs um vestido verde com bordado amarelo à altura dos joelhos, uma calça amarela e um capacete de papelão, verde com um penacho amarelo. Como não tinha botas, calçou a velha galocha com a qual, nos dias de chuva, pisava no lamaçal que se formava na encosta em que morava. Passou um batom que não se sobressaia nos seus lábios grossos e ressecados e saiu para a Lapinha. A SANTINHA DA RIBEIRA – Tom Correia Abri a porta, ajeitei as coisas em cima da mesa e liguei a tevê. Coloquei a comida de Rebeca, mas ela não parecia animada. Eu já havia notado que ela emagrecera. Troquei de ração várias vezes sem resultado. Talvez estivesse grávida. O melhor de tudo era saber que eu seria um pai apenas adotivo, se fosse o caso, e não teria de levar gatinhos para a escola... A PIRIGUETE DE ONDINA – Lima Trindade Apreensão. Alta voltagem. Sarita, debruçada no parapeito da sacada do Othon, aguarda o seu negão. Promessa é dívida. Faltam apenas dois dias para o começo da folia. Ela nunca esteve no camarote de Daniela. Téo disse que dessa vez era quente, que Lúcia Pablo garantiu, entregaria as pulseirinhas coloridas no Jantar em homenagem ao governador do Estado. A PUTINHA DA VITÓRIA – Carlos Barbosa Não permaneci mais que cinco minutos no hotel, depois de chegar do Campo Santo. Era um dia vestido de saudades vivas, como na antiga canção. Um dia que pedia passos a memória, assovios em suas esquinas. Minhas roupas estavam tão amarrotadas quanto o meu espírito. A NOIVINHA DO CABULA – Gustavo Rios Vestia o branco reservado às noivas, branco que se refletia nas pegajosas retinas dos vizinhos. E aquele vestido roto ainda cheirava a naftalina e coisas mortas. Morto, sobre a cama de lençóis alvos. Morto, com os pulmões podres, o olhar de eterna renúncia. Dividido em seis conto (listados acima), o livro vem apimentado, como vocês podem perceber pelos títulos, nos dando um vislumbre da literatura erótica presente na obra que tem na Bahia um dos seus principais representes, o ilustre Jorge Amado. Cabe dizer que alguns do títulos pra mim, soaram machistas, embora as histórias tratem de mulheres livres, que fazem o que querem, sem estar necessariamente presas às regras sociais impostas. Além do mais, em algumas vezes, os enredos nos lembram um pouco o livro “A vida como ela é” de Nelson Rodrigues, tanto pela narrativa quanto pelos vários temas que aborda. Eu poderia aqui, fazer uma análise conto a conto, mas acredito que isso tiraria a beleza da leitura para aqueles que se interessarem pelo livro, ao invés disso, trouxe apenas o início de cada uma das histórias, para atiçar um pouco mais a curiosidade de cada um de vocês. Cabe destacar aqui a beleza nas descrições feitas da cidade Salvador, passando pelas mais variadas paisagens que são os bairros escolhidos para ambientação dos contos. Outro aspecto que é interessante ressaltar é a construção da escrita em cada texto, temos contos escritos por homens e dessa forma, o olhar masculino prevalece. Outro ponto que deixa a obra muito mais original é a linguagem empregada pelos seus autores, se tratando de uma obra ambientada na Bahia, claro que o “baianês” não poderia ficar de fora. Você irá se deparar com as expressões que são próprias de lá, “piriguete”, por exemplo, que hoje já é um termo já popular e utilizado em todas as regiões do Brasil, mas que teve a sua origem na capital baiana. Ademais, podemos encontrar também expressões como, “mas ela parece ‘PANCADA’(cilada)”, ‘Depois do casamento ‘GORADO’(fracassado)”, “foi aí que me ‘RETEI’ (fiquei bravo)” ou “no ESQUEMA’ (tá tudo bem)”. Esse jeitinho peculiar e criativo de falar, traz um tom informal ao texto e acrescentando um toque de humor aos contos. Finalizando, temos em “As baianas” uma leitura divertida, na qual os autores buscaram, por meio de personagens intrigantes, falar um pouco sobre as relações humanas, sendo as histórias por diversas vezes imprevisíveis, nos causando espanto pelo seu desfecho inusitado. E tudo isso alinhado a uma escrita leve e gostosa que adiciona aos eventos narrados um pouquinho de dendê e da pimenta que só a Bahia tem.

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    Mayrant Gallo

    Mayrant Gallo nasceu em Salvador, em 1962. Morou 20 anos no Rio de Janeiro, onde começou a escrever. Publicou Pequena antologia antecipada (1989), O ritual no jardim (1993), Pés quentes nas noites frias (1999), Dia sim e sempre (2000), O inédito de Kafka (2003), Recordações de andar exausto (2005), Dizer adeus e nem (2005) e Nem mesmo os passarinhos tristes (2010).

    16 Livros
    8 Seguidores
    Bahia, Brasil

    Mayrant Gallo