Ler uma história cujo fim você já conhece. Isso é extremamente perturbador. O Governador, eleito o "vilão do ano" por uma revista especializada em histórias em quadrinhos, é um homem de atitudes extremas. Ao ler The Walking Dead nós podemos ver do que ele é capaz, e quando soube do lançamento do livro, meu primeiro pensamento foi: "PRECISO ler isso."
O ritmo da leitura é intenso, e não espere uma história com um palavreado culto. A contracapa diz que o livro não é recomendado para menores, e os leitores dos quadrinhos já estão acostumados com a linguagem, que torna a coisa muito mais real e desesperada. Robert Kirkman tem o dom de escrever coisas que nos deixam boquiabertos com cada detalhe e com cada surpresa desagradável; enlouquecidos pelo próximo capítulo.
Cruzamos o estado de Geórgia com Philip Blake, sua filha Penny, seu irmão Brian e seus amigos Nick e Bobby procurando um lugar habitável para tentar sobreviver. Desde o começo, dá para perceber que Philip nunca foi uma pessoa de personalidade pacata. Ele sempre precisou lutar contra seus demônios internos, e no fim das contas ele lida com seus sentimentos ali através daqueles demônios putrefatos que estão por toda a parte. A frustração, a culpa, a tristeza, tudo isso é amenizado através de umas boas mortes de zumbis. Mas é notória a evolução desse comportamento brutal e incontrolável de Philip, por motivos óbvios e por todas as outras coisas que acontecem no decorrer da história e das viagens dos personagens desde Waynesboro, no começo do "apocalipse" até o início da era do Governador. Ler o nome Woodbury pela primeira vez no livro dá uma sensação muito sinistra - eu sei o que aconteceu ali e não foi bonito.
Livro fantástico. Gostei muito de ver essa história em outra mídia. Gosto muito dos quadrinhos, mas em formato de livro é muito melhor. A imaginação já está treinada com as cenas de horror, e aquele texto corrido proporciona mais emoção.
É um livro sobre mudanças. A vida de todos muda com o início daquele apocalipse. O caos está instalado, os mortos levantam-se novamente, nenhum lugar é seguro, as pessoas não são mais confiáveis, todos estão muito ocupados tentando proteger a si mesmos, e todas as perdas e danos nesse caminho transformam as pessoas. Perder um ente querido pode fazer alguém cometer coisas que jamais imaginou ser capaz.