Uma lâmina cortante sangra as páginas de Cafeína, o novo livro de Victor Mascarenhas. Melhor ainda, é que ele não se distanciou do seu habitat, Salvador, Bahia. E com a verve de quem tem ironia afiada, discorre as baixarias de subumanos, retratando estórias radicais, mas verossímeis e possíveis, onde a vida e um copo de cerveja podem ter o mesmo valor. A decadência veste-se de uma resistência oca e incorpora-se a personagens grotescos, loucos, armados, bêbados e até aqueles de vida mediana e aparentemente adaptados ao velho e cruel sistema não escapam do desolamento e da neurose. E tudo isso em Salvador, em lugares que não frequentamos habitualmente e em outros aonde vamos ou passamos todos os dias. Alguns dos cenários são churrascarias, igrejas de crentes, escritórios e a desolação de praças insalubres que não mais são utilizadas como lazer. Com entusiasmo, o prefácio de Fausto Fawcett contempla a “blitz rasante em Salvador”, onde Victor Mascarenhas rasga os cartões-postais e mostra as vísceras e o sangue de nossas almas perdidas. A ilustração da capa é de Cau Gomez, e a leitura é ligante, do primeiro ao décimo segundo conto, como uma boa dose extra de cafeína.
Cafeína -
Victor Mascarenhas
Casa e Palavras
2008
134 páginas
4h 28m
ISBN-13: 9788572781138
Português Brasileiro
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