Preto: história de uma cor, do francês Michel Pastoureau é uma viagem por séculos, desde os primórdios da humanidade, focando, claro, na Idade Média (campo de estudos do autor), até o começo do nosso século XXI, esmiuçando, trazendo à tona aos leitores os diversos significados (tanto religiosos, quanto sociais e tanto místicos, supersticiosos, quanto políticos e morais) da cor preta dada ao Homem. De uma cor ligada à fertilidade, à criação, transitando entre o vulgar, ao profano, ao Diabo e, se invertendo, sendo relacionada à religiosidade, à autoridade, à austeridade, ao luto, à Morte, à Melancolia, à repressão, à anarquia, ao chique e muito mais (!), é impressionante como, na história humana, uma cor ganha e vai ganhando outras semânticas, outras bagagens simbólicas significantes conforme o grupo ou os grupos que a adota como sua tudo é convenção, propenso à mudança, à repetição, sempre um ciclo repetitivo, às vezes perpétuo, mas (jamais!) arbitrário; tudo é bem pensado, idealizado. Pastoureau se vale de farto material bibliográfico para nos mostrar isso: de tintureiros à fabricantes de pigmentos; da história do vestuário à filosofia e às ciências; quase todo campo humano é contemplado, e lá utilizado, corrobora com ele. É um universo inteiro numa só cor!