Desde os tempos antigos, o homem defronta-se com sua frágil condição humana, suscetível ao sofrimento, que é facilmente observada quando ele está enfermo. Nesta situação, em que o homem encontra-se em profunda desarmonia física e espiritual, a forma como o paciente é atendido ajuda decisivamente no reestabelecimento da saúde. Entretanto, o que se observa no sistema de atendimento público de muitos países não reestabelce nossa condição harmônica.
O conceito do termo saúde, como apenas a ausência de doenças, vem, progressivamente, caindo em desuso. Atualmente, para uma pessoa ser considerada saudável, ela deve apresentar um completo bem-estar, não apenas físico, mas também mental social e, principalmente, espiritual. Quando alguém fica doente fisicamente, seu estado emocional também é afetado e necessita de atenção e cuidados, tal qual seu corpo. Infelizmente, esta projeção humana muitas vezes não é levada em consideração pelos profissionais da área de saúde.
Este desprezo emocional, que as vezes o médico emprega em sua relação com o paciente, ignora a percepção humana da empatia, pôr-se no lugar do outro, e não dá a devida relevância à condição mortal a que o homem está submetido. Assistindo-o de forma superficial, o profissional ignora a desordem emocional do paciente, tratando-o com “mais um” entre os outros que necessitam de seu auxílio.
No Brasil e em vários locais do mundo, incontáveis mortes ocorrem frequentemente devido justamente à esse descaso que lhes dispensam os profissionais que deveriam prestar-lhes ajuda. È totalmente compreensível o sentimento de revolta por para da população carente, que não possui meios para procurar outras formas de atendimento, contra este tipo de serviço. Ainda no exemplo do Brasil, o sistema de saúde pública incorporado no SUS, se levar em conta apenas seus aspectos sociais, está longe de apresentar as características que o fundamentam.
Esta triste situação poderia se resolvida através de uma “humanização” no processo de formação destes profissionais, para que, saindo do estado sacro que muitos julgam estar, eles possam proporcionar um atendimento que respeite a dignidade de seus pacientes. Sobre isto, vale lembrar as palavras de Moacyr Scliar, médico formado pela UFRS: “Os doentes precisam de médicos que sejam pessoas reais, e não teóricos frios, por melhor que sejam”.
Pablo Ítalo
Bocaina-PI, 10 de maio de 2012