Carandiru 111 -

    Doug Casarin

    Senac
    2003
    156 páginas
    5h 12m
    ISBN-10: 8573593350
    Português Brasileiro

    O tema das fotos de Doug Casarin ultrapassa a tragédia de 1992, quando 111 homens morreram em condições narradas, neste livro, por um sobrevivente. O tema é o presídio em si, suas grades, a sombra das grades, suas paredes e os grafites nelas, as portas com fendas a sugerir jaulas humanas, o prédio soturno que se reflete na poça. E alguma esperança - no abraço da visitante, no prato de comida, na fé que improvisa igreja ou oratório, no trem que passa em frente rumo a lugares - visto por pessoas sem direito de ter rumos.

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    Daniela Pottmaier picture
    Daniela Pottmaier12/06/2017Resenhou um livro
    5 (Perfeito)

    Ócio prisional, Inércia Estadual

    Costumo frequentemente entrar no site da biblioteca da faculdade onde estudo para pesquisar novos livros, vagar pela lista em busca de novas aventuras...até que num dia desses, me deparo com o título: “Carandiru 111”. Confesso que me despertou bastante curiosidade, já que trata-se de fatos acontecidos em nosso país e que foi-me apenas mencionado na escola. Escrevi o nome do livro em um papel, junto aos demais exemplares disponíveis na biblioteca que eu pretendia ler. Passou-se alguns meses, muitos trabalhos e afazeres, até que lá estava eu, na estante reservada para livros de fotografia, com o dito cujo nas mãos, já me encaminhando para fazer o empréstimo... Comecei a folheá-lo, a viajar em meio as imagens, analisar cada cantinho, imaginar o que o autor pensava ao registrar o clique e também o que aquelas pessoas sentiam... Mas, apesar do belíssimo trabalho de Doug, aquelas fotografias me causaram angústia, ao perceber uma realidade que não estou acostumada, acredito que a sociedade também não esteja. O texto histórico de Regina nos faz refletir sobre como o sistema penitenciário brasileiro é falho, pelo fato de tratar a prisão como punição e não como meio de readaptação, ressocialização. Muitos dos presos ficam a maior parte do tempo ociosos, ou seja, mentes vazias, pensamentos sórdidos! E grandes chances de retorno ao mundo do crime, da malandragem. Como a mesma cita, o que pretendia-se com o sistema era “a ‘construção’ de novos sujeitos que pudessem voltar ao seio da coletividade". Diante de todos esses fatos traduzidos em imagens a minha frente, não pude deixar de lembrar da crise penitenciária brasileira, em pleno 2017. Sobre este assunto sugiro a leitura do texto de Marcos Sergio Silva, cujo link se encontra abaixo. A prisão de “delinquentes” nos faz sentirmos seguros? E quando eles saírem da cadeia, viveremos nós atrás de grades? #Ocupemasmentes #Nãoaoócioprisional

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