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    Festa no covil - Trilogia mexicana #1

    Juan Pablo Villalobos

    Companhia das Letras
    2012
    96 páginas
    3h 12m
    ISBN-13: 9788535920260
    Português Brasileiro
    4
    2157 avaliações
    Leram2919Lendo44Querem1976Relendo2Abandonos19Resenhas225
    Favoritos183Desejados1976Avaliaram2157

    Uma das maiores revelações das letras mexicanas, Villalobos mostra, neste livro, as entranhas do narcotráfico mexicano pelos olhos do filho de um chefão da droga. Rimando humor e horror, o garoto narra sua educação sentimental enquanto investiga o absurdo da realidade pela lente do nonsense infantil. O romance de estreia de Juan Pablo Villalobos é surpreendente em muitos sentidos. Breve e incisivo ao revelar a face mais violenta da realidade (não apenas) mexicana sob uma ótica insólita, entra no cânone da narcoliteratura sem ceder aos tiques próprios do subgênero. Em Festa no covil, a vida íntima de um poderoso chefe do narcotráfico - Yolcault, ou "El Rey" - é narrada pelo filho. Garoto de idade indefinida, curioso e inteligente, o pequeno herói, que vive trancado num "palácio" sem saber a verdade sobre o pai, reconta sem filtros morais o que presencia ou conhece pela boca dos empregados ou pela tevê. Seu passatempo é investigar secretamente os mistérios que entrevê, colecionar chapéus e palavras difíceis e pesquisar sobre samurais, reis da França e animais em extinção, sempre com o auxílio de seu preceptor - um escritor fracassado egresso da esquerda. Esse pequeno príncipe, tão mimado quanto privado de infância, tem um desejo obsessivo: completar seu minizoológico particular com o raríssimo hipopótamo anão da Libéria. Reveses nos negócios paternos e a conveniência de o grupo abandonar o México por um tempo acabam tornando realidade o safári para capturar o tal hipopótamo em risco de extinção. A viagem à África com seus percalços e o regresso ao "palácio" constituem a grande iniciação do narrador-protagonista, a quem só na última linha é dado chamar o pai de "pai". Festa no covil é surpreendente também no seu percurso editorial: seus originais chegaram à editora espanhola Anagrama sem as indicações de praxe nem a chancela de concursos literários, caindo nas graças de Jorge Herralde, o mais respeitado editor do mundo hispânico. Publicado em junho de 2010, logo começou a receber os mais veementes elogios dos principais suplementos e revistas culturais de ambos os lados do Atlântico. É o 1º livro da trilogia mexicana, formada por Festa no covil (2012), Se vivêssemos em um lugar normal (2013) e Te vendo um cachorro (2015).

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    Resenhas (225)Ver mais
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    Carlos Henrique29/01/2020Resenhou um livro
    5 (Perfeito)

    Opinião sobre o livro.

    Até o momento estou a pensar como um livro relativamente curto conseguiu causar tantas sensações conflitantes em meio à barbárie no mundo do narcotráfico não apenas no México onde se passa nossa historia, mas como um todo. Nosso protagonista se chama Tochtli uma criança prodígio como ele mesmo se descreve e vemos o mundo do trafico com suas atrocidades pela visão dessa criança que vive uma vida de luxos e mimos, porém solitário como sendo o preço a se pagar pelos atos praticados por seu pai. Para nós Tochtli vem contar os acontecimentos de seu desejo por um hipopótamo anão da Libéria, e até nos revelar todos os acontecimentos pela busca de seu desejo, vem nos apresentar seu dia a dia, suas aventuras, além do pequeno e seleto grupo de pessoas que conhece. Cotidiano irrigado por mistérios, crimes, uma masculinidade que chega a ser toxica e uma obsessão doentia de nosso protagonista por cabeça e chapéus. Tudo isso regado de sua visão insensível aos fatos ou talvez até por não compreender o mundo sem ser na visão do crime imposta a ele. O autor por meio de seu personagem principal ainda se encarrega de nos oferecer um material muito interessante de base para apoio à história como filmes e musicas. Todo o clima tenso da história não tira a possibilidade de boas risadas, mas o que nos prende mesmo é a barbaridade que o protagonista deixa explicita até mesmo em suas brincadeiras e estudos livres. O autor consegue fazer com que analisemos o poder do narcotráfico na sociedade, na visão solitária de uma criança que participa e convive com isso de dentro. Um conto fictício que beira a realidade de forma assustadora, mostrando a corrupção em seus diversos graus montado uma máquina de desigualdade e criminalidade sem precedentes. Ficando aqui a pergunta, até onde nossa historia se assemelha com a realidade?

    49 curtidas

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    • 3 estrelas24%
    • 2 estrelas5%
    • 1 estrelas1%
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    Juan Pablo Villalobos

    Nasceu em 1973, em Guadalajara, México, e atualmente mora no Brasil. É autor de contos, crônicas de viagem e crítica literária e de cinema. Festa no covil é seu primeiro romance. Editado originalmente na Espanha, já foi traduzido na Alemanha, Reino Unido, Holanda e França, e tem lançamento previsto em mais sete países, incluindo Itália, EUA, Israel e Turquia. A edição britânica foi selecionada pelo jornal The Guardian entre os cinco finalistas do First Book Award.

    15 Livros
    68 Seguidores

    Juan Pablo Villalobos