A Sombra e o Mal nos Contos de Fada -

    Marie-Louise Von Franz

    Paulus
    2003
    349 páginas
    11h 38m
    ISBN-10: 8534920443
    Português Brasileiro

    Os contos de fada são criações simples e espontâneas do espírito, e nós muitas vezes os consideramos ingenuamente apenas como histórias para divertir, distrair ou acalentar as crianças. Vistos em sua profundidade, porém, eles se mostram como espelhos da experiência humana, sempre mergulhada na trama complexa de seus problemas e possibilidades. Com sua excepcional profundidade e clareza, a autora nos leva a uma nova compreensão do potencial analítico contido nessas divertidas histórias, escolhendo algumas para desenvolver uma reflexão sobre dois problemas centrais: a sombra e o mal. O texto do livro foi extraído de duas séries de conferências realizadas por Marie-Louise von Franz no Instituto C. G. Jung de Zurique; a primeira, O problema da sombra nos contos de fada, durante o inverno de 1957, e a segunda, Lidando com o mal nos contos de fada, no inverno de 1964. O estilo coloquial de comunicação foi essencialmente mantido.

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    Thailise Candido04/04/2026Resenhou um livro
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    A Sombra e o Mal nos Contos de Fada

    Em A Sombra e o Mal nos Contos de Fada, Marie-Louise von Franz utiliza o folclore mundial para nos apresentar uma verdadeira "anatomia" da psique humana. Ao longo da leitura, a mensagem central que se consolida é a de que os contos de fada, quando interpretados com a chave da psicologia analítica, ilustram a constante luta do Self contra as forças do mal. Mais do que meras estórias de ninar, essas narrativas funcionam como guias de sobrevivência psíquica. Elas nos mostram que enfrentar a escuridão nem sempre exige heroísmo direto; muitas vezes, a sabedoria natural ensina que a melhor forma de lutar é usar a astúcia, evitar o confronto, ou até mesmo esconder-se e recusar-se a olhar para a face do mal. A obra também é um alerta profundo sobre as frestas em nossa defesa psicológica que nos deixam abertos ao mal. Um dos fatores de maior vulnerabilidade explorados pela autora é a solidão — seja ela física ou mental. Estar isolado, separado da comunidade ou do calor humano, faz com que a energia vital se volte para o inconsciente, ativando figuras arquetípicas obscuras e abrindo portas para a possessão por demônios ou forças destrutivas da natureza. Nesse sentido, o trecho que mais me chamou atenção foi o que trata da "possessão pelo mal". Von Franz descreve de forma assustadora como a contaminação psíquica ocorre através do Frevel — uma palavra alemã que traduz uma espécie de ousadia ou impertinência infantil diante do sagrado ou do terrível. A autora desmistifica a ideia de que buscar o lado sombrio da vida por curiosidade intelectual seja um ato de coragem. Pelo contrário, essa frivolidade diante do mal causa a perda total dos nossos instintos de autopreservação, desumanizando o indivíduo e transformando-o num instrumento cego de destruição. A grande lição que o livro deixa é a da extrema necessidade de uma "higiene psíquica". O mal é uma força contagiosa e autônoma com a qual não devemos brincar. Para sintetizar a gravidade desse contato, destaco uma passagem do texto que resume perfeitamente essa mensagem: “Platão disse certa vez que se alguém observar algo maligno, alguma coisa desse mal entra em sua própria alma. Ninguém pode observar o mal sem que algo brote nele em resposta, porque o mal é um arquétipo e todo arquétipo provoca um impacto infeccioso nas pessoas. Olhá-lo significa tornar-se contaminado por ele.”

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