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    Chamadas telefônicas -

    Roberto Bolaño

    Companhia das Letras
    2012
    216 páginas
    7h 12m
    ISBN-13: 9788535920369
    Português Brasileiro
    4
    181 avaliações
    Leram282Lendo13Querem198Relendo1Abandonos2Resenhas16
    Favoritos16Desejados198Avaliaram181

    Mais conhecido pelos seus extensos e complexos romances, como 2666 e Os detetives selvagens, Roberto Bolaño demonstra, nos contos compilados em Chamadas telefônicas, um completo domínio da forma breve. Roberto Bolaño escolheu, para abrir este volume de contos, uma epígrafe de Tchékhov. A citação não é aleatória: assim como o mestre russo, o autor chileno compôs, em Chamadas telefônicas, uma série de histórias curtas, com desfechos inesperados, que abrem caminho para múltiplas interpretações. Tal é o caso de "Sensini", o primeiro conto da coletânea, sobre um escritor argentino que se especializou em ganhar concursos literários. Trata-se de personagem arquetípico na obra do autor: um intelectual latino-americano, retratado com uma mescla instável de rancor e compaixão, que não consegue encontrar seu lugar no mundo. Na segunda parte do livro, em que o espectro metaliterário cede lugar à violência, os leitores de Bolaño reencontrarão "velhos conhecidos". Em um dos contos, o autor retoma a paisagem da cidade fronteiriça de Santa Teresa, em outro resgata seu alterego Arturo Belano. A sensação de déjà-vu estende-se também à terceira e última parte, protagonizada por personagens femininas indecifráveis. Ao repetir personagens e cenas, Bolaño constrói, livro a livro, um vasto universo ficcional. Estes contos são assim tanto um complemento para os ávidos leitores do autor quanto uma porta de entrada para seu território ficcional.

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    Alexandre Figueiredo08/02/2021Resenhou um livro
    3 (Bom)

    O visceral realismo de Bolaño

    O primeiro contato com a lenda a gente não esquece. O chileno Roberto Bolaño carrega, para quem não sabe, a alcunha de ser o “último grande escritor” que a América Latina produziu. E não, não digo isso gratuitamente, pois muita gente de peso - e muita gente especializada no assunto - também concorda com essa assertiva. A escolha do meu primeiro contato com Bolaño seguiu a lógica que aplico com outros escritores de grande porte: começar por livros menores. Por isso, o eleito foi este curtíssimo “Chamadas telefônicas” pois, além de me introduzir ao mito, o livro cumpre outra função importante que é me familiarizar com narrativas breves. E a experiência foi boa. O livro possui 14 contos divididos em três seções: Chamadas telefônicas, Detetives e Vida de Anne Moore. Posso afirmar que todos, sem exceção, são muito bem escritos. Além disso, a característica comum que dá certa unidade a todos eles pode ser descrita como a busca por um realismo visceral. Você entra nos contos, até nos menos interessantes, porque observa neles uma realidade muito crua, nua mesmo, o que causa uma sensação de identificação, seja em maior ou menor grau. No livro, as breves narrativas lidam com um desses três temas principais: literatura, sexo e violência. Para não alongar este texto que já está grande, vou destacar apenas os contos que prenderam a minha atenção com mais, digamos, competência. E para isso iniciaremos do começo. O conto “Sensini” é uma boa carta de apresentação para qualquer um que pretende conhecer Bolaño, pois mostra a habilidade do escritor em criar uma história que trata de literatura - tema caro ao chileno - com um misto de mistério. Há também os interessantes “Uma aventura literária” e o “Chamadas telefônicas”, ambos exemplos incríveis do uso de um estilo refinado aliado a uma técnica convincente. No entanto, o grande destaque do livro fica por conta do longo “Detetives”, um primor textual que, não por acaso, tem o alter-ego do escritor entre as personagens: Arturo Belano. Um misto de paranoia com páginas policiais, mistério e choque de realidade. Esse conto por si só já vale o investimento no livro. Há um porém, como tudo na vida. O livro exala testosterona em demasia, o que não é necessariamente um defeito, mas que torna-se um problema quando o escritor arrisca pisar no universo feminino. Isso é mais notável nos contos “A neve”, “Joanna Silvestri” e “Vida de Anne Moore”, em que as decisões ou atitudes tomadas pelas personagens femininas geram, se não uma certa sensação de inverossimilhança, pelo menos a possibilidade de dúvida, de questionamento dos leitores. A leitura de “Chamadas telefônicas” não foi marcante, mas me deu vontade de conhecer mais a respeito de um escritor que nos deixou cedo demais e não pôde ver e usufruir do tamanho da sua literatura. Vale.

    32 curtidas

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    Avaliações

    4 / 181
    • 5 estrelas33%
    • 4 estrelas39%
    • 3 estrelas23%
    • 2 estrelas3%
    • 1 estrelas2%
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    Roberto Bolaño Ávalos

    Bolaño cresceu no México e voltou ao Chile natal no começo dos anos 70, entusiasmado com o governo do presidente socialista Salvador Allende. Derrubado o regime, em 1973, o jovem trotskista foi perseguido e passou alguns dias na prisão. Depois, partiu para a Espanha e, na Costa Brava catalã, acabou fincando raízes. Seus livros tratam de modo original o gênero policial, mas também falam de política e drogas, além de refletir sobre a própria literatura, tendo usualmente escritores --e a si mesmo-- como personagens.

    82 Livros
    223 Seguidores
    Gran Santiago, Chile

    Roberto Bolaño Ávalos