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    Por que São Tomás criticou Santo Agostinho - Avicena e o ponto de partida de Duns Escoto

    Étienne Gilson

    Paulus
    2010
    183 páginas
    6h 6m
    ISBN-13: 9788534931649
    Português Brasileiro
    4.5
    5 avaliações
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    Geralmente concordamos em considerar a substituição da doutrina de Santo Agostinho por uma nova síntese doutrinal como o acontecimento filosófico mais importante que poderia ter ocorrido ao longo do século XIII. Se precisássemos indicar o ponto crítico em que se estabelece a dissociação entre a antiga escolástica e a nova, sem dúvida nenhuma seria conveniente escolhermos a teoria do conhecimento. Antes de Tomás de Aquino, a adesão à doutrina agostiniana da iluminação é praticamente unânime; depois de Tomás de Aquino, tal consenso deixa de existir, de modo que até mesmo o doutor franciscano João Duns Escoto abandona, quantoa esse aspecto essencial, a tradição agostiniana da qual sua Ordem havia sido até então o mais fiel sustento. Não vemos muita razão para que o agostinismo precisasse um dia ser posto à prova, no interior do próprio cristianismo, a menos que sua sorte não tivesse se encontrado vinculada, pelas circunstâncias, àquela de uma filosofia não cristã, que o introduziu em sua própria condenação. Essa é a hipótese que gostaríamos de submeter à prova dos fatos, procurando a influência que o pensamento de Avicena pode ter exercido sobre os destinos do agostinismo medieval. - contra capa

    Resenhas (1)Ver mais
    Luiz Cordeiro Mergulhão picture
    Luiz Cordeiro Mergulhão02/04/2021Resenhou um livro
    4.5 (Muito bom)

    É um livro puramente acadêmico dividido em duas partes que são duas teses. Na primeira parte Gilson relaciona a doutrina dos motecalemitas, que eram filósofos árabes que justificavam o processo natural das coisas na vontade divina, de modo que excluiam qualquer potência natural nos seres criados, com a doutrina de Avicena, que negava o Intelecto Agente das criaturas. Então do mesmo modo que aqueles diziam que o fogo esquenta porque Deus quer, Avicena dizia que o ser humano conhece as coisas porque Deus quer, não porque havia um processo natural de conhecimento na criatura. Essas doutrinas foram refutadas por Santo Tomás que provou que o ato de criação, assim como o de iluminação divina, não excluem o fato da criatura possuir um processo natural inerente à ela, e criado por Deus. Na segunda parte, Gilson demonstra como Duns Scoto tentou salvar a doutrina de Iluminação Divina recorrendo à doutrina de Avicena novamente.

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    Étienne Gilson

    Étienne Gilson (Paris, 13 de Junho de 1884 — Cravant (Departamento de Yonne), 19 de Setembro de 1978) foi um filósofo e historiador da filosofia e um dos mais destacados autores da filosofia neo-escolástica, especialista no estudo da obra de São Tomás de Aquino.Foi também um incansável defensor da Filosofia Cristã, defendendo a sua real existência, a sua historicidade, a sua importância na história do pensamento em geral e a sua função na Filosofia, na Teologia e na Igreja Católica.

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    27 Seguidores

    Étienne Gilson