“Porto Alegre seria seu cenário, o rio onde iria pescar sua ficção. Escrever era para Apolinário um prazer que ficava nas gavetas, nos arquivos e rascunhos. Já perdera a conta dos projetos que não haviam dado em nada. Sem saber como começar, encarava a ameaçadora tela do computador. Escrever era uma guerra insana e imponderável que ele queria travar consigo. Talvez conseguisse narrar a si mesmo, enredando realidade e ficção. Seu texto esfumaçaria as fronteiras do real e do imaginário, as fantasmagorias, os delírios em textos que estavam amarrados dentro dele, emperrando seu destino. Arranjaria um punhado de palavras para fazer a incursão em sua vida e na vida da cidade.” “Esmê percebeu que não seria nada fácil. Ela sem dúvida preferiria estar nalgum recanto da Bahia, em férias, mas agora, vendo o pai necessitando de cuidados pela primeira vez na vida, era hora de assumir o problema. Tinha vindo a Porto Alegre em primeiro lugar por uma possibilidade de aventura amorosa com um certo Apolinário, o que agora lhe parecia uma estupidez; mas também tinha vindo na boa expectativa de passar uns dias com o velho pai. Agora ele se apresentava, parecia, necessitado de ajuda contínua. Ela não tinha a menor vocação para lidar com questões ligadas a problemas de saúde, pois tinha horror a hospitais, cheiro de remédio, conversas sobre dor aqui, dor ali. Mas que remédio? Por mais difícil que fosse, ela amava o pai e nunca o deixaria só num momento de dificuldades.” Apolinário e Esmê protagonistas deste romance escrito a catorze mãos, vivem em Porto Alegre e querem ser felizes. Como pode acontecer isso na rotina da vida real, com filhos adolescentes, pai doente, amores, desencontros e vontade de escrever?
Apolinário e Esmê - luz e sombra no paralelo 30
coordenador luís augusto fischer
NOVA PROVA
2009
226 páginas
7h 32m
ISBN-13: 9788578950248
Português Brasileiro
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