Nos arredores do rio Volga, próximo a 1020 d.C., uma cidade viking isolada cai vítima de uma doença assassina e contagiosa ao mesmo tempo em que o brutal inverno nórdico chega. Frente a uma difícil escolha, o conselho local vota por expulsar os doentes e trancar os portões na esperança de preservar a vida dos que ficam. Mas, enquanto os portões são fechados e a temperatura despenca, fica claro para todos que a verdadeira ameaça está dentro das muralhas… Gunborg, um líder local, começa uma brutal campanha de intimidação. Boris, o forasteiro com uma teoria sobre doenças contagiosas, tenta resistir a ele. Em meio a esse conflito está Hilda, uma viúva que já provou o gosto da riqueza, mas que agora está sem posses e desprotegida. Durante o longo e cruel inverno, os habitantes de Volga sofrem com a fome, violência, frio, ataques de animais selvagens, crimes, assassinatos e a sempre presente ameaça de morte devido a uma doença invisível. A Viúva do Inverno é um conto de horror narrado pelo ponto de vista de uma solitária mãe e sua filha de oito anos, que lutam para se manter vivas em meio à adversidade. Brian Wood (ZDM – Terra de Ninguém) e Leandro Fernandez (Justiceiro MAX) nos brindam com essa aventura épica, que traz uma abordagem criativa e original da Era Viking, marcando um dos melhores momentos da série Vikings e correndo o sério risco de redefinir esse gênero de aventuras.
Vikings: A Viúva do Inverno -
Brian Wood, Leandro Fernandez
Edições (1)
Ver maisBrian Wood vai se tornando, ao lado de Warren Ellis, um de meus roteiristas favoritos de quadrinhos atualmente. É um sujeito avesso a polêmicas, que dá poucas entrevistas e seus roteiros quase não dão bola para o hábito irritante, tão comum em outros (leia-se Neil Gaiman...), de fazer referências pop para parecer culto. São apenas boas histórias. Algumas provocativas no sentido que devem ser mesmo (como ZDM), outras apenas bem contadas (Local). O caso de Vikings – a viúva do inverno é esse: uma bela história contada de forma simples e ao mesmo tempo impactante. Um dos raríssimos exemplos de como os quadrinhos podem trazer histórias adultas, que nada ficam devendo a bons livros ou filmes. Quadrinhos adultos no melhor sentido do termo, ou seja, que não apelam para fórmulas estabelecidas ou heróis poderosos; muito menos para valores absolutos como a verdade, a justiça, honra e lealdade, que são muito bonitos quando discurso, mas que na prática são apenas bandeiras para impor um modo de pensar bem particular. A bem da verdade é por raríssimas histórias como essa que costumo ler quadrinhos (e que ainda não os abandonei). Porque se é possível uma pesquisa tão meticulosa dentro dos quadrinhos quanto a que deu origem a esse arco de histórias; a reconstrução de hábitos, construções, vestimentas, religião e modo de guerrear, então ainda há muito mais que se fazer do que ler as mesmas histórias recicladas que alguns insistem em fazer os leitores engolir goela abaixo. E mesmo que a premissa de uma viúva protegendo sua filha em um pequeno vilarejo viking no ano de 1020 d.C. pareça apenas uma desculpa para destilar ressentimento sobre a violência contra a mulher e a maldade humana, e não empolgue à primeira vista, o encadernado é mais que recomendado. Não há condescendência, falsos moralismos nem apologia alguma. É uma bela história de como as pessoas fazem aquilo que necessitam e tentam se proteger da maneira que podem e julgam mais apropriada. A morte rondando a todos os passos que se dá. A incerteza da sobrevivência (e criar esse clima me parece o maior mérito de todos, imaginar como deveria ser difícil para uma pessoa sobreviver a um inverno feroz sem condição alguma de se proteger), a peste como apenas o primeiro teste por que terão que passar... Enfim, é um quadrinho espetacular, maravilhosamente bem escrito e que soma muitos pontos na “briga” de melhor roteirista atual de quadrinhos para Brian Wood.
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