FOUCAULT E A FUNÇAO-EDUCADOR - Sujeição e Experiências de Subjetividades Ativas na Formação Humana

    Carvalho, Alexandre Filordi de

    Unijuí
    2010
    160 páginas
    5h 20m
    ISBN-10: 8574298743
    Português Brasileiro

    A função-educador é convidada a pensar de outra maneira a sua própria função: as formas e os modos pelos quais o educador se coloca como sujeito diante de outros sujeitos: afetando e sendo afetado, subjetivando e sendo subjetivado, formando e sendo formado. Constituir-se como sujeito de ação na função-educador também implica o exercício de destruição de todo homopedagogismo, pois tudo o que é possível de ser feito está diante de nós mesmos. É urgente, entretanto, contrapor-se à estabilidade de toda destinação das verdades presentes na formação humana. É possível, em alguma medida, uma educação heterotópica? É possível uma educação voltada para a constituição de sujeitos ativos, emancipados, críticos? São possíveis práticas pedagógicas desviantes, a fim de produzir experiências de liberdade no cotidiano escolar? É possível que a formação humana conte mais com a subjetividade de cada um do que com os vínculos de saberes-poderes de conduções sujeitantes?

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    Diego Caldas Chaves30/05/2012Resenhou um livro
    4 (Muito bom)

    O livro tem uma temática que me lembrou muito a "Pedagogia do Oprimido" de Paulo Freire, se referindo à importância do docente partir da realidade imediata para refletir, agir e se reposicionar diante dos fatores condicionantes e expor suas inquietações para seus estudantes, dando a oportunidade que outros também tenham esta possibilidade de tomar outros rumos em suas vidas que não aqueles estabelecidos cuturalmente. Embora as obras remetam a práticas semelhantes, as bases teóricas dos dois discursos são bem diferentes. Paulo Freire estrutura suas teorias na dialética hegeliana, considerando que no mundo há situações de desigualdade entre os homens que negam a possibilidade do diálogo, colocando uns como capazes de enunciar a palavra por outros, criando uma situação de opressão e negando a tendência dos homens em "ser mais". Já Filordi, como o próprio título anuncia, tece seu discurso a partir de releituras de Foucault e embora se preocupe com a questão da transformação dos comportamentos através de experiências de reflexões e ações que produzam o dessujeição, em momento algum se remete a alguma finalidade humana em "ser mais" ou coisa do gênero. Outra diferença básica é a escala da ação, Freire escreve em um período de ebulição no Chile, onde havia uma estrutura política com um discurso favorável à mudança e portanto sua fala está preocupada com uma ação em grande escala, já Filordi escreve para o professor solitário que atua dentro de estruturas que longe de algum compromisso com a transformação, possuem práticas de reprodução da sujeição dos indivíduos. Ao invés de um diálogo dialético, Filordi, fala das experiências de dessujeição. A sujeição é um resultado atravessado por várias experiências que conduzem a uma forma de pensar e de estar no mundo e a função-educador é a de possibilitar reflexões e produzir ações que ajudem a desvelar estes mecanismos, subsidiando os indivíduos para que eles possam agir e pensar de outra forma. O professor não deixa de ser aquele que conduz para se tornar aquele que media, como em Paulo Freire, aqui, o professor conduz para uma encruzilhada, para um ponto de intercessão, onde o indivíduo perceba que há mais de um caminho a seguir.

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