O socialismo no século 21 - Há vida após o neoliberalismo?

    Atílio A. Boron

    Expressão Popular
    2010
    136 páginas
    4h 32m
    ISBN-13: 9788577431700
    Português Brasileiro

    Este livro fala sobre as vicissitudes do capitalismo na América Latina. Seu ponto de partida é a constatação, depois de mais de um século, de haver sido instaurado como modo de produção dominante nas suas principais economias e, apesar de ter experimentado períodos de elevadas taxas de crescimento econômico, nossos países continuam mergulhados no subdesenvolvimento. Essas principais economias – Argentina, Brasil, Chile e México – continuam lutando com os tradicionais problemas do passado como, entre outros, pobreza, indigência e exclusão social crescente, extrema concentração de riqueza e renda e “democracias” mais aparentes que reais, nas quais estão ausentes os mais elementares direitos dos cidadãos. Depois de muitas décadas de sacrifício e de perversa exploração, períodos de repressão e derramamento de sangue, o capitalismo demonstra que não é o caminho para o desenvolvimento desses países, mas exatamente o contrário: é o caminho mais seguro para perpetuar o subdesenvolvimento. O capitalismo não é uma receita que se pode tornar universal, muito menos eterna. A realidade é que, depois de pouco mais de cem anos, apenas um país pôde atravessar as fronteiras que dividem o desenvolvimento do subdesenvolvimento, e é esse o caso excepcional da Coreia do Sul. Mas por que será que ninguém mais repetiu essa façanha? A resposta que aqui se busca fundamentar é que ninguém mais poderia repetir tal façanha porque as condições que permitiram a passagem do subdesenvolvimento para o desenvolvimento pela via capitalista ao longo do século 20 desapareceram. Assim, este livro busca contribuir no sentido de evitar a continuação desse sistema injusto e irreformável, que coloca a humanidade à beira de sua própria destruição. Com esse intuito, examina as perspectivas de um futuro não capitalista para a América Latina por meio de um socialismo do século 21, um socialismo renovado, que capitaliza e amadurece com as experiências das revoluções socialistas do século passado.

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    Vanelise Aloraldo13/10/2020Resenhou um livro
    5 (Perfeito)

    Um convite para pensar o pós-neoliberalismo...

    Este livro contribui para a reflexão sobre a perpetuação do nosso subdesenvolvimento no modo de produção capitalista, sobre as "democracias" mais aparentes que reais e que não existem obstáculos intransponíveis quando se existe vontade política para realização de programas com profundas reformas (mesmo quando se convive com ameaças, chantagens e extorsões de todos os tipos). Há críticas importantes sobre os governos de "centro-esquerda" da América Latina, que sob a máscara de "progressistas" fiéis às orientações gerais do Consenso de Washington e persistindo nas políticas recomendadas pelo FMI, Banco Mundial e Organização Mundial do Comércio, faziam crer que o "desenvolvimento" e a saída da condição de "países atrasados" seria possível. No entanto, segue se aprofundando a pobreza, desemprego, taxas de analfabetismo aberto e funcional, atraso tecnológico, fragilidade das instituições democráticas e a dependência econômica dos centros imperialistas do poder mundial. Convive-se com a ameaça de holocausto ecológico, mas o holocausto social produzido pelo neoliberalismo já existe, na medida em que ainda morrem pessoas de fome, de insalubridade, com doenças tratáveis, sem as mínimas condições para viver. Frente a esta barbárie do capitalismo que põe em perigo a espécie humana, temos que reunir forças para avançar na construção do socialismo do século 21, sem modelos para imitar, embora algumas experiências do passado possam servir de inspiração. Falar que a democracia será possível no capitalismo é como falar que existe um círculo quadrado. O autor propõe que seja pensada uma agenda pós-neoliberal, que prevê aumento do gasto público, o crescente e diversificado papel do Estado na vida econômica e social e uma estratégia que limite efetivamente o despotismo dos mercados e a primazia dos oligopólios e do imperialismo. Uma reforma não é uma "evolução" que avança por etapas, mas se as reformas se derem de uma maneira que potencialize a presença popular, fortalecendo a organização e conscientização das classes exploradas, então se constituiria um degrau importante para avançarmos na construção do socialismo. A esquerda deve ser capaz de sintetizar a enorme diversidade de reivindicações - econômicas, sociais, culturais e identitárias - do campo popular. O autor aborda os valores e princípios medulares de um projeto socialista, o programa com sua agenda concreta e sua inquestionável superioridade ética e os sujeitos históricos desse protagonismo. Aborda também elementos que o socialismo do século 21 "não deve ter". Nós convivemos nesta correlação de forças junto à "batalha das ideias", por isso é fundamental demonstrar que existe sim vida após o neoliberalismo, que outro mundo é possível e que a história segue sendo construída. Os grupos dominantes querem fazer crer que não há alternativa, mas temos que ter a capacidade didática para disseminar o pensamento crítico junto às classes e camadas subalternas, em formato organizativo potencializar a plena consciência do protagonismo histórico, pois mais que condições objetivas, é preciso também condições subjetivas para enfrentar essa dominação ideológica do neoliberalismo principalmente diante do seu quase absoluto controle dos meios de comunicação de massas.

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