Foi em nome da democracia e da liberdade que o PMDB empreendeu 40 anos de luta. A democracia direta, nascida na ágora da velha Grécia, tornou-se impraticável nos tempos modernos, pelo crescimento das cidades e a forma de organização social. Nasceu, então, a chamada democra21 cia representativa e, com ela, os partidos políticos para organizar a representação. Ficou impossível alcançar a representatividade com a relação direta e individual da estrutura estatal com a sociedade. Para este relacionamento, passou-se a utilizar de agrupamentos que, estruturados em torno de segmentos sociais ideológicos e programáticos, são chamados de partidos políticos. Partidos políticos, da forma como os conhecemos hoje, constituíramse, no mundo inteiro, nos últimos 150 anos. Um dos mais consagrados estudiosos do assunto, Maurice Duverger, diz que, de fato, ”em 1850, nenhum país do mundo (salvo os Estados Unidos) conhecia partidos políticos no sentido moderno do termo”. 3 Hoje, é bom observar, todo o mundo civilizado exercita a política através de partidos que têm, todos, mais ou menos, as mesmas funções. Quanto mais estável e avançada a democracia, mais fortes e autênticos são os seus partidos políticos. No Brasil, a histórica instabilidade democrática não tem permitido a formação de partidos políticos fortes e duráveis. Não vamos tratar aqui sobre os que existiram nos tempos do Império que, obviamente, não fogem à regra. Na República, desde a origem, os partidos nascem e morrem ao bel prazer das sucessivas instabilidades políticas. Não duram e não criam raízes na sociedade. A falta de uma mais rigorosa fidelidade partidária contribui para o enfraquecimento dos partidos. A legislação brasileira sempre foi leniente neste aspecto. Aqui, as pessoas usam os partidos, ao invés de servirem a eles. Há os que, entre tantos que estudam o assunto, atribuem ao sistema presidencialista o desestímulo ao fortalecimento dos partidos. Argumentam que o parlamentarismo conduz a decisões partidárias para formação do Gabinete e proporciona uma forma mais coletiva de governar. Os presidencialistas retrucam, afirmando que o parlamentarismo carece de partidos fortes para funcionar. Ao que treplicam os parlamentaristas, entendendo que este sistema é causa, não efeito, no fortalecimento dos partidos. Por esta e por outras, cujo debate não encontra lugar neste espaço, não temos uma