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    Deus Existe? -

    Papa Bento XVI

    Editora Planeta
    2009
    128 páginas
    4h 16m
    ISBN-13: 9788576654681
    Português Brasileiro
    3.3
    4 avaliações
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    O que se pode esperar de um encontro entre um cristão e um ateu? E quando esse cristão é o representante máximo da Igreja Católica, Joseph Ratzinger? Em 2000, o então cardeal e hoje papa Bento XVI participou de um debate acalorado com o filósofo ateu Paolo d?Arcais em torno da provocadora questão: Deus existe? A tentativa de dar um sentido claro e novo ao cristianismo no meio da crise da humanidade está no centro dessa discussão, que aborda desde temas polêmicos como o aborto até a fronteira, cada vez menos nítida, entre fé e razão. Um confronto de opiniões que ajudará todas as pessoas que já se perguntaram e, muitas vezes, não encontraram respostas que sustentassem verdadeiramente sua própria credulidade ou religiosidade.

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    Thaylan Granzotto picture
    Thaylan Granzotto21/07/2015Resenhou um livro
    3 (Bom)

    Deus Existe?

    Em 21 de fevereiro de 2000, em Roma, o então cardeal Joseph Ratzinger (papa Bento XVI), e o filósofo, ateu, Paolo Floro D’Arcais, fizeram um debate intitulado “Deus existe?”, que teve a duração de duas horas e meia, onde o núcleo da discussão se encontra neste livro. O livro ainda traz um texto de cada lado, introduzindo cada ponto de vista e defendendo seu lado. Começa com o texto do Papa Bento XVI, baseado na premissa de que a religião cristã é a verdadeira – religio vera. Pois, desde São Thomas de Aquino, já é sabido, segundo eles, que a fé e a racionalidade caminham juntas, fazendo uso da apologética. Já no inicio do debate o ateu (filósofo) relembra a frase atribuída a Tertuliano, “credo quia absurdum” (crido porque é inconcebível), ou seja, a fé é um escândalo para a razão. Se for só isso que o cristianismo prega, é inofensivo aos não crentes, pois só pedem para respeitar as suas crenças. Agora, se eles (cristãos) se intitulam ser o resumo da verdadeira razão e detentores da verdade, mais tarde poderão tentar impor a todos sua “razão” e correremos o risco de, se eventualmente formos contra a religião, estarmos condenados a ir contra a razão humana. Na Polônia, a igreja católica de maneira totalitária, tentou impor na constituição do país as leis da igreja. Coisas relacionadas ao aborto, camisinha, homossexualismo e tudo mais para todos, até ateus e pessoas de outras religiões. Esta é uma prova de que a religião, se tratada como a detentora da verdade, pode impor sua cosmovisão a todos e controlar a vida dos cidadãos contra suas próprias vontades. Flores menciona o símbolo máximo do cristianismo que é a cruz e relembra que a ressureição de Cristo nunca foi demonstrada através da razão, e isso significaria dizer que se fosse provado não haveria necessidade da fé, qualquer ser capaz de raciocinar seria cristão. Quando questionado pelo intermediador do debate, Gad Lerner: se é possível viver sem fé. Paolo responde que antes, é preciso definir o que significa fé. Ele diz: “se por fé entendermos qualquer profunda paixão existencial por alguns valores, que justamente façam da existência em si algo sensato, e necessário para nossa relação com os outros, não, não se pode viver sem fé; mas essa seria uma definição genérica. Porém, se por fé entendermos uma crença religiosa, tranquilamente sim. A fé não é necessária em absoluto para dar sentido a própria existência; pode-se dar sentido à vida de muitas outras formas”. Paolo Flores traz ao debate o pensamento de Blaise Pascal, filósofo do século XVI que faz o argumento da aposta. Onde Pascal argumenta que: se existe um Deus e você não crê nesse Deus, após a morte você irá arder no inferno eternamente; porém, se você crer em Deus e ele não existir, você só terá tido uma vida com valores cristãos mais elevados, nada mais. Segundo o argumento da aposta, é melhor você apostar que Deus existe e, se ele existir mesmo, ser salvo, do que apostar que ele não existe e poder perder o paraíso. Em outras palavras: não se perde nada se crer em Deus, já o contrário não é reciproco. Há muitas falhas nesse pensamento, as premissas são falsas. Veja: a fé sempre acrescenta algo a mais, seja esperança ou ilusão. Entretanto, também acrescenta algo a menos – nos priva de certos prazeres nessa vida prometendo outros na “vida” eterna. E se não houver outra, perde-se esta? Pra que serve a religião? Consolar, resgatar, “salvar”, dar sentido? Mas do que nos consolar, da finitude de não sermos deuses e ver que há muito mal e injustiças no mundo? Nos resgatar dos nossos próprios erros, se fomos nós quem os escolheu? Para nos salvar de algo que não temos prova de que existe (o inferno)? Dar sentido à vida como uma espécie de auto-ajuda que nos diga que somos mais importantes do que achamos que somos, que o Universo se importa conosco e que não estamos sozinhos, que fomos criados por algum motivo e não um simples ato sexual, elevando nosso ego, nossa vaidade e nossa auto-estima? Mas não é possível tudo isso sem religião? Uma religião de sentido, e não da verdade, é uma religião que já não é de pessoas e sim de meros “consumidores de sentido”. Quem aceitaria uma ilusão, sabendo que o é? Para aceitar uma religião é necessário que seja verdadeira. Toda religião quer ser verdade, senão, ela perde o ‘sentido’ e se destrói. O problema é que não tem como todas serem verdadeiras. Portanto, o ônus da prova cabe a quem diz ser a verdadeira, devem provar que são. O que elas conseguem fazer é no máximo influenciar e fazer as pessoas crerem que são verdadeiras. Se conseguissem provar que está ou aquela é de fato a religio vera (religião verdadeira), não haveria espaço para auto-ajuda. Alguém poderia perguntar: que mal há nisso – uma pessoa buscar sentido; que dano ou prejuízo uma pessoa sofre em seguir uma religião? Eu responderia: depende, você vê a mentira (a ilusão) ou a verdade, como algo bom pra se viver em um mundo real? É melhor buscar sentido pra vida em algo que não podemos provar, portanto, não sabemos se existe. Ou é melhor vivermos sabendo que o que ocorre nas nossas vidas é consequência das nossas próprias escolhas e atos; que não devemos sacrificar nossa vida por não termos prova de que exista outra. A fé traz um sentido que “derrota” a morte, pois dizer haver o transcendente, a eternidade além da vida terrena, é confortante. Sobre a moral, como direitos humanos concebidos por Deus, Flores responde que não vê dessa forma. Não existem direitos humanos, mas sim direitos civis. Os direitos são construídos em uma civilização e aceitos pelos cidadãos para que haja harmonia e paz na convivência social de todos. Reparem que os valores mudam baseados no senso de justiça: as mulheres e os negros não tinham os mesmos direitos, hoje sim. Assassinato e aborto, para o filósofo, são coisas diferentes, não estão no mesmo patamar. Ele cria uma situação hipotética para que todos reflitam e entendam seu ponto de vista. No primeiro caso: 1- um ex militar SS (guarda de elite de Hitler) lhe conta como cremava crianças judias, sem rancor nenhum, sente até prazer na fala. No segundo caso: 2- uma mulher lhe conta emocionada que abortou e sofre por isso, mas não queria criar uma criança que lembrava a ela uma violência que sofreu aos 12 anos de idade quando foi estuprada pelo padrasto. Você jantaria com os dois pensando que ambos são assassinos? --- O ateu encerra o livro com seu texto intitulado “Ateísmo e verdade”. De início, coloca uma frase provocadora de Soren Kierkegaard “A fé começa justamente onde termina o pensamento”. E rebate o argumento de Santo Agostinho sobre a coexistência do mal e Deus, onde Agostinho diz que “o mal não é mal, é simplesmente falta de ser”, como se o mal fosse a ausência de Deus. Mas se a falta de Deus é a falta de ser, é o mesmo que dizer: que no momento em que uma pessoa pratica o mal ela não existe, como se sua alma não existisse. Suponhamos então, segundo as premissas desse argumento que um estuprador não deve ser preso, quando bate, machuca e violenta sexualmente uma criança de 5 anos de idade, pois ele não o faz consciente, ele nem sabe o que está fazendo, afinal, o diabo é que está no corpo dele – logo ninguém pode ser preso por praticar atos maldosos, haja vista que estão fora de si. Esse discurso relativista só protege o criminoso, não a vítima, na verdade ele inverte o papel das vítimas. Não há saída: o mal no mundo desmente pelo menos um dos atributos de Deus, a onipotência ou a bondade. Portanto a teodiceia (filosofia criada para explicar a coexistência de deus e o mal) é inútil. *** PS: sim, eu fiz a resenha focada na fala do ateu e não do cristão. Dei mais voz ao filósofo do que ao Papa. Mas eu não disse que seria imparcial, na verdade nunca sou. Se algum crente se sentiu injustiçado pode ler o livro, ou não, e responder aqui nos comentários. Acreditem em mim ou não, a fala do Papa é muito inferior e chata se comparada a de Flores. *** OBS: Tenho um blog intitulado "Ceticismo, Conservadorismo e Capitalismo" aonde eu posto varias outras resenhas, artigos, informações e muito mais. Deixarei o link na descrição!

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    Joseph Alois Ratzinger

    Bento XVI, nascido Joseph Alois Ratzinger, foi Papa de 19 de abril de 2005 até 28 de fevereiro de 2013, quando se tornou o primeiro Pontífice a renunciar ao seu ministério sem pressão externa desde 1294. Atuou como perito durante o Concílio Vaticano II. Foi nomeado bispo e cardeal em 1977, pelo Beato Paulo VI. É considerado um dos maiores teólogos do seu tempo e da história da Igreja Católica. Após a sua abdicação detém o título de Papa emérito, ou Bispo emérito de Roma, e vive retirado no mosteiro Mater Ecclesiae, no Vaticano.

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    Joseph Alois Ratzinger