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    Mefisto - Romance de uma carreira

    Klaus Mann

    Estação Liberdade
    2000
    320 páginas
    10h 40m
    ISBN-10: 8574480266
    Português Brasileiro
    4
    192 avaliações
    Leram264Lendo37Querem652Relendo0Abandonos21Resenhas29
    Favoritos4Desejados652Avaliaram192

    Nove dias antes de sua morte, diante da recusa de uma primeira edição de Mefisto na Alemanha por parte de um editor de Munique, Klaus Mann escreveu uma carta daquelas que todo editor teme receber um dia. Mas é significativo e revelador o que justamente está por trás dessa recusa: o novo poder, sob um regime agora supostamente depurado de resíduos nazistas, do outrora todo-poderoso ator retratado neste romance. Que torta continuidade haveria de existir para que ele ainda tivesse a força de fazer, postumamente, com que a melhor obra de Klaus Mann ficasse proibida por decisão judicial durante quinze anos? Tal proibição, no entanto, teve o mérito de forçar a Justiça, parodiando Mefistófeles, a vestir sua máscara censora ao preferir proteger a imagem de um morto da profanação por outro morto, nesse “duelo dos mortos” que se tornou o mais famoso processo pela liberdade de expressão na difícil democracia da República Federal da Alemanha dos anos 60 e 70. A história da obra Mefisto parece, portanto, refletir a trama do eficaz libelo antifascista elaborado por Klaus Mann – e aí poderemos discutir para sempre até que ponto ele sucumbiu à tentação de turvar a memória de seu famosíssimo ex-genro Gustaf Gründgens, modelo inconfesso para seu personagem central.

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    Resenhas (29)Ver mais
    Carlos Nunes picture
    Carlos Nunes01/07/2022Resenhou um livro
    5 (Perfeito)

    O preço da fama

    O autor era um ferrenho opositor do nazismo, teve sua obra queimada em público, perdeu a cidadania alemã, mas conseguiu fugir e escreveu essa obra no exílio, em 1936. E acabou se tornando uma espécie de porta-voz dos intelectuais alemães que viviam no exílio, contra os nazistas. E esse livro é uma exemplo magnífico dessa luta, uma das poucas obras que nos mostram que nem todos os alemães compactuavam com as ideias de Hitler e seus asseclas. É um livro rápido e fácil de ler, mas bastante profundo nas suas colocações, especialmente sobre os sentimentos do provo alemão acerca da situação que estavam vivendo - e isso ainda antes da II Guerra começar, quando grande parte dos horrores perpetados pelos nazistas ainda nem tinham vindo à tona. E MEFISTO mostra também o outro lado, através da história de um ator de teatro extremamente talentoso e que tem acima de tudo a ambição de tornar-se nada menos que o maior ator da Alemanha. E para conseguir seu intento, ele fará de tudo, até mesmo vender sua alma ao Diabo, no caso, o alto escalão do regime nazista. Curiosamente, ele alcança seu objetivo através da interpretação magnífica de Mefistófeles, em Fausto. Porém, ironicamente, aqui é o próprio Mefistófeles que se rende a um Mal maior. Romance soberbo, leitura mais que recomendada e, se possível, não deixem de assistir o filme baseado nele, obra-prima do cinema, estrelado de forma ímpar por Klaus Maria Brandauer.

    25 curtidas

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    4 / 192
    • 5 estrelas33%
    • 4 estrelas38%
    • 3 estrelas20%
    • 2 estrelas8%
    • 1 estrelas1%
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    Klaus Mann

    Foi um escritor alemão. Filho mais velho do Prêmio Nobel Thomas Mann, ficou conhecido sobretudo pelo romance <i>Mephisto</i>, em que retrata a vida de Gustaf Gründgens, um ator alemão que foi casado com sua irmã Erika Mann. Gründgens permaneceu na Alemanha após a chegada ao poder de Adolf Hitler em 1933 e se tornou um emblema cultural do novo regime, desempenhando o papel de Mefisto no Fausto de Goethe, uma das obras culturais que os Nazis mais apreciavam, e uma das poucas peças de teatro que era representada na Alemanha Nazi. Ele sofreu pela sua homossexualidade e pela falta de estima do seu pai. Ainda na Alemanha, fez parte do grupo de teatro Die Pfeffermühle de sua irmã Erika Mann, que ridicularizava os Nazis. Deixou a Alemanha em 1933, ano da chegada ao poder de Hitler, juntando-se à família no exílio na Suíça. Trabalhou para o Exército Americano na Segunda Guerra Mundial, fazendo folhetos de Propaganda em alemão. Faleceu em Cannes, na França, com uma overdose de comprimidos para dormir.

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    Baviera, Alemanha

    Klaus Mann