Há um desenho melódico neste percurso, em que se esvazia a tormenta da poesia impossível (o fantasma) (ela) e, através da folia, vai-se dedilhando o novo siso do mundo, não uma nova ordem, mas sim nova harmonia: uma palavra possível, poética: Amor. Amor é a coisa que vem, nos poemas "ladeira", como rompantes, gestos e percursos que extravasam dionisiacamente o corpo contido, através destes caminhos íngremes que são as ladeiras de um imaginário carnavalesco. Há violência onde há erotismo, há toda essa profusão estranha de abrir tudo ao encontro, à troca. Há o perder-se, ébrio, folião. Há lágrimas inclusive, noite com sonoridade repetidas, e há, sobretudo repetidas, e há, sobretudo fraternidade: "uma menina tridente me espetava / faceira nos paralelipípedos / eu sorria, sorria // amor natural eu canta / dormindo em meio fio / meio dia / embolado em irmãos", no poema III de "ladeiras". Roberta Ferraz
