O grito da seda - Entre drapeados e costureirinhas: a história de um alienista muito louco

    Gatian de Clérambault

    Autêntica Editora
    2012
    160 páginas
    5h 20m
    ISBN-13: 9788575265796
    Português Brasileiro

    Expressão usada pelo psiquiatra Gatian de Clérambault (1872-1934) ao se referir ao ruído obtido ao amassar o pano com as mãos, ‘O grito da seda’, lançamento da Autêntica Editora, reúne dois famosos textos do autor, de 1908 e 1910, ambos nomeados ‘Paixão erótica dos tecidos na mulher’, em que o psiquiatra relata casos de pacientes diagnosticadas como “fetichista dos tecidos”. Acometidas desta patologia, essas mulheres eram presas por roubarem peças de pano, especialmente veludo e seda, para satisfazerem seus desejos. Os textos traduzidos por Tomaz Tadeu são complementados por dois ensaios do estudioso espanhol José María Álvarez que contextualiza a atuação e o método utilizado pelo médico e pelo artigo de Danielle Arnoux, sobre a contribuição dada por Clérambault ao estudo das roupas drapeadas. Os textos de Gaëtan Gatian de Clérambault são relacionados ao local onde trabalhou a maior parte da sua vida, a ala psiquiátrica da Enfermaria Especial da Chefatura de Polícia de Paris. Para lá eram enviadas das delegacias, prisões e ruas parisienses, pessoas intoxicadas, alucinadas, perseguidas e agressivas que eram meticulosamente estudas pelos psiquiatras. A publicação contrapõe os dois lados de Clérambault, expondo não somente os anos dedicados aos estudos do novo tipo de fetichismo descoberto, mas também a curiosa paixão do psiquiatra pelos tecidos, tendo fotografado e se tornado um estudioso da roupa drapeada dos povos árabes, sobretudo no Marrocos. De acordo com José María Álvarez, a obra de Clérambault se destaca: “por uma marca inequívoca: um estilo fulminante, conciso, extremamente preciso, salpicado de neologismos, aos quais recorria quando o vocabulário existente lhe parecia insuficiente”. Sobre o autor – Clérambault nasceu em Bourges, na França. Em 1920 foi nomeado médico-chefe da Enfermaria Especial da Chefatura de Polícia de Paris. Sua obra pode ser dividida em cinco blocos: os delírios coletivos, os delírios tóxicos e os transtornos mentais consecutivos, as intoxicações crônicas, a epilepsia, as psicoses passionais, e o automatismo mental. Teve como aluno o grande psiquiatra francês Jacques Lacan, que chamava Clérambault de seu “único mestre”. Sobre o tradutor - Tomaz Tadeu é Ph. D. em Educação pela Stanford University (1984). Foi professor do Programa em Pós-Graduação em Educação da Universidade Federal do Rio Grande do Sul. É autor de diversos livros e tradutor de obras clássicas como Ética, de Spinoza, O Pintor da Vida moderna, de Charles Baudelaire, da qual também assina a concepção e organização com Jérôme Dufilho, Meu coração desnudado, de Charles Baudelaire, Manual do dândi - A vida com estilo, de Charles Baudelaire, Honoré de Balzac e Barbey d'Aurevilly, Alfabeto, de Paul Valéry, Rabiscado no teatro, de Stéphane Mallarmé, Peter Stallybrass, Os últimos dias de Immanuel Kant, de Thomas De Quincey, O panóptico, de Jeremy Bentham, da qual também foi o organizador, e Mrs Dalloway, de Virgínia Woolf, sua mais recente tradução. Sobre a Coleção Mimo - Esta coleção é feita de pequenas, deliciosas e delicadas jóias raras. Composta de obras clássicas e de belos textos, organizados e traduzidos por Tomaz Tadeu, a Coleção possui títulos consagrados e não à toa recebe o título Mimo. Para o organizador, “um mimo é um dom. Uma dádiva. Um agrado. Uma graça. Um mimo não é nada. Mas pode ser muito. Não tem cálculo. Nem intento. Não é pensado. E, contudo: escolhido a dedo. Um mimo é generoso, gentil, delicado. Uma jóia rara. São livros desejáveis. Bons de se ver e de tocar. Com textos que descem bem, como um bom vinho tinto. Bons pra degustar.” Vários dos títulos acima integram a coleção. Título: O grito da seda – Entre drapeados e costureirinhas: a história de um alienista muito louco Autor: Gaëtan Gatian de Clérambault, José María Álvarez, Danielle Arnoux Tradução: Tomaz Tadeu Número de páginas: 160 Formato: 14 x 21 cm Preço: R$ 34 ISBN: 978-85-7526-579-6 Coleção: Mimo Confira capítulo inicial de O grito da seda em: http://www.autenticaeditora.com.br/download/capitulo/20120305145042.pdf Veja outros títulos já publicados pela Coleção Mimo em: http://www.autenticaeditora.com.br/autentica/colecoes/32 Mais informações sobre os livros da Autêntica Editora estão disponíveis no portal do Grupo Editorial Autêntica:www.autenticaeditora.com.br ou pelo telefone 0800 28 31 322 O Grupo Editorial Autêntica tem sua origem com a fundação, em 1997, da Autêntica Editora, que hoje conta com mais de 500 livros nas áreas de Ciências Humanas e de literatura infantil e juvenil, já tendo conquistado os mais importantes prêmios nacionais, como o Jabuti, da Câmara Brasileira do Livro, e o Cecília Meireles, da Fundação Nacional do Livro Infantil e Juvenil. Comprometida com a educação em valores, a editora possui várias coleções dirigidas a educadores e pesquisadores, bem como disponibiliza gratuitamente em seu site a revista eletrônica Formação Docente, editada em parceria com o Grupo de Trabalho Formação de Professores, da Associação Nacional de Pós-Graduação e Pesquisa em Educação (ANPEd), além de apoiar inúmeras iniciativas públicas e privadas focadas na valorização da educação e da cultura nacionais. A partir de 2003, a Autêntica ampliou sua atuação, com o lançamento do selo Gutenberg, publicando títulos diversificados e plurais, investindo na estreia de autores brasileiros e em temas de interesse a públicos específicos. Nessa mesma linha, lançou em 2011 mais uma editora, a Nemo, especializada em história em quadrinhos, resgatando tanto os clássicos do gênero, como autores nacionais. Desde então, as três linhas editoriais ganharam autonomia e se transformaram em editoras independentes, com a criação do Grupo Editorial Autêntica. Em comum, mantêm o compromisso com a qualidade de suas publicações e ações, baseadas em valores éticos e estéticos, na inovação permanente, e na crença no livro e na leitura como instrumentos para emancipação humana. Assessoria de Imprensa do Grupo Editorial Autêntica: Pluricom Comunicação Integrada® Gabriel Capucho | capucho@pluricom.com.br Marina Puzzuoli | marina@pluricom.com.br Fone (11) 3774-6463 | pluricom@pluricom.com.br | www.pluricom.com.br | www.twitter.com/pluricom

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    Fábio Ribas Wanderley Dantas picture
    Fábio Ribas Wanderley Dantas21/05/2022Resenhou um livro
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    O grito da seda

    O que me levou ao “O grito da seda” foi o seguinte artigo, publicado no site da Editora Tabla, “A sedução pela seda”, de Paula Carvalho. O artigo desenvolve e contextualiza a menção que é feita no “O arador das águas”, de Hoda Barakat, publicado também pela Editora Tabla, em que um dos personagens fala dessas mulheres que, seduzidas pelos tecidos, principalmente a seda, foram depois internadas em manicômios. O artigo de Paula Carvalho é maravilhoso e instiga o leitor a ir atrás de quem era esse alienista francês do início do século, chamado Gaëtan Gatian de Clérambault (1872–1934). O livro “O grito da seda” é uma organização de vários textos, inclusive conta com textos do próprio Clérambaut, organizados e traduzidos por Tomaz Tadeu (Belo Horizonte: Autêntica, 2012). Os primeiros artigos de “O grito da seda” são de autoria de José Maria Álvarez. Ele nos contextualiza sobre a época do alienista francês e a originalidade de seu método, apresenta também as críticas que os manicômios receberam e o questionamento quanto a legitimidade do tratamento feito pelos alienistas naquela época. Logo após, seguem dois artigos de Clérambaut descrevendo suas entrevistas com as mulheres vítimas dessa “paixão pela seda”. Ao ler esses artigos, torna-se evidente o quão diferente é a realidade daquelas mulheres e o universo literário criado por Hoda Barakat. Nesta, não havia a cleptomania e, muito menos, a profunda depravação dos contextos sociais de onde vieram as pacientes de Clérambaut. Sua pacientes são mulheres cujas famílias de origem eram deslocadas, perdidas e de uma condição moral terrível. Elas mesmas, essas mulheres, não sairam desses ambientes de degradação social. Assim, ao contrário de Barakat, a vida real moldou da pior maneira possível as perturbações e desvios sexuais daquelas internadas no manicômio. A realidade triste dessas mulheres internadas no manicômio está muito mais próxima e identificada com o universo de “Quem é Meryl Streep?”. A sedução que os tecidos causam nas mulheres de Barakat está no universo do realismo mágico, da literatura e de um erotismo poético e sutil. Nada tem a ver com a vida deprimente das pacientes de Clérambaut. Quanto ao fato de Clérambaut também ter se “apaixonado” pelos tecidos de maneira similar às suas pacientes, o artigo de Danielle Arnoux trata de desfazer esses mitos. À parte de toda essa discussão, o artigo mais impressionante, tanto pela clareza como pela escrita bem feita, vem também do punho do próprio Clérambaut, intitulado “Lembranças de um médico operado de catarata”. Este texto se destaca no livro! Que crônica! É uma tristeza saber que Clérambaut, no final, não conseguiu continuar a viver quando viu perder o seu principal instrumento de trabalho. Esse artigo me trouxe lembranças de infância, em que via meu avô lendo seus livros com uma lupa grossa, porque ele também vinha perdendo a visão. Não consigo sequer imaginar o que uma perda dessa significa para um médico que trabalhava observando ações e reações de seus pacientes. Assim como não consigo conceber o que foi para o meu avô, professor, leitor ávido e escritor, ver sua visão se deteriorar… Conheça meus textos no site da Medium.

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