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    O país das neves - Trilogia dos sentimentos #1

    Yasunari Kawabata

    Estação Liberdade
    2004
    156 páginas
    5h 12m
    ISBN-10: 8574480975
    Português Brasileiro
    3.7
    720 avaliações
    Leram1111Lendo42Querem1026Relendo4Abandonos21Resenhas71
    Favoritos58Desejados1026Avaliaram720

    A primeira versão desta obra foi publicada originalmente em 1937, mas foi apenas dez anos depois, já influenciado pelos acontecimentos da Segunda Guerra, que o escritor japonês laureado com o Prêmio Nobel de Literatura em 1968 terminou a versão final deste romance sobre o amor espontâneo e sem nenhuma esperança de retribuição. Neste livro, de grande repercussão no Japão e no exterior (inclusive com adaptações para o cinema), Kawabata expõe a densidade e as contradições das relações humanas por meio do encontro entre Shimamura, um culto senhor de posses, Komako, uma gueixa das montanhas, e Yoko, uma bela jovem provinciana, trazendo ao leitor um texto comovente e lírico ao extremo. Em vez de provocantes paixões, o desperdício do amor e o sacrifício pessoal dos personagens conduzem-nos a uma atmosfera gélida, com pinceladas de forte afetividade, em que o branco da neve e o frio penetrante contribuem para dar o tom melancólico da narrativa. Não à toa: a estação termal de Yusawa, que o escritor visitou pela primeira vez em 1934, serviu de inspiração para a criação do cenário onde se passa a história.

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    Daniele24/08/2021Resenhou um livro
    0

    Uma viagem pelas quatro estações de uma mesma paisagem

    Através da escrita hipnotizante de Yasunari Kawabata, primeiro escritor japonês a levar o Prêmio Nobel, embarcamos numa viagem a um lugar onde os sentimentos estão entrelaçados com a paisagem, tão fascinante e enigmática quanto o coração humano. Nosso companheiro de viagem é Shimamura, um homem rico e escritor medíocre da capital. O destino de suas viagens (ou melhor, escapadas) é um lugar remoto conhecido como País das Neves, uma estância de águas termais cercada por uma paisagem montanhosa onde o inverno é bem rigoroso. Esse lugar funciona como um refúgio não só para Shimamura, mas também para a gueixa Komako e a jovem Yoko. Duas mulheres misteriosas que se assemelham aos dois polos de um mesmo ímã. As descrições poéticas de Kawabata conseguem nos afogar no cenário. A brancura da neve, o frio do inverno, os sons dos instrumentos e das vozes, o calor do fogo. Um verdadeiro banquete para os sentidos. Um dos elementos mais brilhantes do livro é que cada viagem ocorre em uma estação diferente. Com a passagem das estações, os personagens também mudam. Ao mesmo tempo em que se aproximam, também se afastam. Acreditamos que sabemos mais sobre eles, mas na verdade, parece sabemos cada vez menos. Passamos a ver o reflexo do reflexo do reflexo... Como numa casa de espelhos. De modo que a impressão é que tudo o que acontece e que é dito no País das Neves não passa de uma ilusão, seja sonho ou pesadelo. A obra é permeada de metáforas cuja beleza é difícil de descrever. Só lendo para experimentar. Aproveite a viagem ao País das Neves!

    48 curtidas

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    Avaliações

    3.7 / 720
    • 5 estrelas21%
    • 4 estrelas35%
    • 3 estrelas35%
    • 2 estrelas8%
    • 1 estrelas1%
    Yasunari Kawabata profile picture

    Yasunari Kawabata

    Prêmio Nobel de 1968, Yasunari Kawabata é considerado um dos representantes máximos da literatura japonesa do século XX. Nascido em Osaka em 1899, interessou-se por livros ainda adolescente, principalmente clássicos do Japão, que viriam a ser uma de suas grandes inspirações. Kawabata estudou literatura na Universidade Imperial de Tóquio e foi um dos fundadores da Bungei Jidai, revista literária influenciada pelo movimento modernista ocidental, em particular o surrealismo francês. Acompanhado de jovens escritores, defenderia mais tarde os ideais dacorrente neo-sensorialista (shinkankakuha), que visava uma revolução nas letras japonesas e uma nova estética literária, deixando de lado o realismo em voga no Japão em prol de uma escrita lírica, impressionista, atravessada por imagens nada convencionais. Ao contrastar o ritmo harmônico da natureza e o turbilhão da avalanche sensorial, Kawabata forjou insólitas associações e metáforas táteis, visuais e auditivas que surpreendem por revelar os processos de fragilização do ser humano diante do cotidiano, numa composição surrealista de elementos da cultura e filosofia orientais, personagens acuados e cenários inóspitos. Sua obsessão pelo mundo feminino, sexualidade humana e o tema da morte (presente em sua vida desde cedo, sob a forma da perda sucessiva de todos seus familiares) renderam-lhe antológicas descrições de encontros sensuais, com toques de fantasia, rememoração, inefabilidade do desejo e tragédia pessoal. Desgastado por excesso de compromissos, doente e deprimido, Kawabata suicidou-se em 1972.

    38 Livros
    234 Seguidores
    Kinki, Japão

    Yasunari Kawabata