It is 1978 in the Twin Cities, and Kevin Doyle, a high school senior, is a marginal student in love with keggers, rock and roll, and-unbeknownst to anyone else-a boy in his class with thick eyelashes and a bad attitude. His mother Eileen died two years earlier when her car plunged into the icy waters of the Mississippi River, and since then Kevin's relationship with his father Patrick has become increasingly distant. As lonely women vie for his father's attention, Kevin discovers Patrick's own closely guarded secret: he had planned to abandon his family for another woman. More disturbingly, his mother's death may well have been a suicide, not an accident. Complicating the family dynamic is the constant meddling of Kevin's outspoken Aunt Nora-who will never forgive Patrick for Eileen's death-along with Patrick's inability to stay single for very long. His loyalties divided between his father and his aunt, between his internal reality and his public persona, Kevin is forced to reevaluate his notions of family and love as painful truths emerge about both.
The Year of Ice -
Brian Malloy
Perdido no gelo
Kevin Doyle perdeu sua mãe em um acidente de carro há dois anos. Mas foi mesmo um acidente ou ela teria se suicidado? E suicídio seria apenas se ela tivesse dirigido em direção ao rio ou podemos encaixar a inércia ao perceber seu carro deslizando dentro dessa definição também? No ano em que Kevin completa dezoito anos e termina o ensino médio, ele é confrontado com sua própria inércia. Ele dá pequenos passos que o leva a caminhos frustrantes inibindo-o de dar passos maiores. A frustração do personagem é também a nossa. Felizmente o autor sabe trabalhar essas nuances para que a experiência num todo não fique marcada negativamente pela angústia do personagem. Infelizmente, as frustrações com o livro existem, ainda que venham de outros lugares. Ter um protagonista tão injetado de masculinidade tóxica, que nunca é abordada de frente, é uma delas. Eu não poderia me importar menos com o uso da palavra faggot, especialmente sabendo que o livro foi escrito por um homem gay. No entanto, o fato de que essa palavra é reiterada à exaustão pelo protagonista (homofobia internalizada, eu sei) e encerramos o livro sem que isso seja confrontado ou ressignificado, me faz acreditar que ele não seja um bom livro para seu público-alvo, que são adolescentes. Porque hoje eu posso fazer essa leitura com clareza e discernimento e entender as coisas de uma forma que talvez na minha própria adolescência não conseguiria. Talvez naquela época ficasse apenas com o reforço do estigma, o que seria um desserviço. Porém essa não foi a ofensa repetida que mais me incomodou no livro. Tem outra palavra que eu bem lembro que era comumente usada nos anos 2000, quando o livro foi escrito, mas que felizmente já caiu em desuso. Ela aparece algumas vezes no livro e sempre gerava um incômodo, mas beeeem no finalzinho ela apareceu para gerar a mais pura revolta mesmo. Porque foi pronunciada por uma personagem que é retratada como progressista, uma personagem que claramente é pintada com um desenvolvimento positivo. E ela usa essa palavra para se referir de forma perjorativa à uma criança com síndrome de Down. Minha impressão é de que em muitos momentos o autor parecia criar certas passagens para demonstrar como era ousado/transgressor, como se estivesse seguindo uma receita de "clássico jovem adulto a ser estudado em escolas". E, na maior parte dos casos, era justamente ali que a história ficava mais fraca. Não vou negar que o livro tem seus méritos. Existe um vasto elenco de personagens bem distintos e praticamente todos tem seus momentos e características detestáveis e redimíveis. O autor explora a humanidade deles. Sempre bom lembrar também que entender não é a mesma coisa de concordar. Há ainda algumas boas observações realizadas; deu para grifar uns bons trechos. Não me trouxe o sentimento que eu esperava dele quando o comprei tantos anos atrás, mas certamente não é um livro que me arrependo de ter lido. Inclusive, descobri agora que há uma nova história com Kevin, que se passa em 1988 e tenho curiosidade em lê-lo. Minha esperança é de que, vinte anos depois, o autor combine mais maturidade na sua escrita com a sensibilidade dos anos 2020 para entregar uma obra que supere as falhas de seu romance de estreia e se torne em uma experiência mais satisfatória.
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