Pañcatantra - Fábulas indianas - Livro 1

    Maria da Graça Tesheiner, Marianne Erps Fleming, Maria Valíria Aderson de Mello Vargas

    Humanitas
    2004
    252 páginas
    8h 24m
    ISBN-10: 8575061364
    Português Brasileiro
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    Caio Lobo20/10/2022Resenhou um livro
    5 (Perfeito)

    Aninais falantes fazendo as mesmas tolices que nós humanos.

    As fábulas são fontes de sabedoria dos primórdios de nossa infância como homens, como também de nossa infância como humanidade. A fábula se torna conto de fada, o conto de fada em drama e em épico. Conhecemos várias fábulas de Esopo e de La Fontaine, como a da formiga e a cigarra e da lebre e a tartaruga. Os irmãos Grimm fizeram um belo trabalho coletando a tradição oral das velhinhas de várias partes da Europa no início do século XIX antes que elas desaparecessem; as histórias que contavam era a sabedoria dos analfabetos e tinha uma produção literária sem letras de centenas e até talvez milhares de anos. Os Grimm perceberam semelhanças nas histórias mesmo em locais diversos da Europa, e hoje sabemos que até em partes da África há também histórias muito parecidas com nossos contos de fadas. O Pañcatantra é também uma obra destas histórias universais, mas vindas lá do oriente, da Índia, e impressiona justamente por estes temas universais, mas com o "tempero das especiarias" das Índias. Há sempre a figura de animais falantes, os animais maldosos como a serpente e o coiote, os espertos como o caranguejo, os humildes como o cavalo, os arrogantes como o leão e o tigre. Os vícios e virtudes humanos também aparecem, como o homem burro, a mulher mexeriqueira ou a sedutora pervertida, o rei benevolente, o asceta rígido ou o hipócrita desonesto. As peripécias são muito engraçadas, lembrando os qüiprocós de Chaves e Chapolin, e são também brutais e sangrentas, pois a violência sempre foi de beleza apreciável pela humanidade. As histórias são fortes para que as crianças cresçam fortes e sem frescuras, mas a fábula é para o adulto também, para que aprenda a refinar seu caráter e possa aprender pelos exemplos literários sem ter de passar pelos mesmos erros dos personagens. Além disso o Pañcatantra tem histórias dentro de histórias, onde um personagem de uma fábula contra outra fábula, e em um momento parece um sonho dentro de outro sonho dentro de outro sonho dentro de outro sonho... Certamente foi fonte para muitas histórias das 1001 noites e para as infinitas noites que se sucedem ás histórias de Scheherazade. E a saga das fábulas do Pañcatantra continua em mais dois livros, com suas desgraçadas criaturas contando fábulas morais.

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