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    Amor por anexins -

    Artur Azevedo

    nacional
    1999
    9 páginas
    18m
    ISBN-1: 0
    Português Brasileiro
    3.5
    45 avaliações
    Leram75Lendo3Querem8Relendo0Abandonos0Resenhas5
    Favoritos1Desejados8Avaliaram45

    Esta farsa, entremez, entreato, ou que melhor nome tenha em juízo, o meu primeiro trabalho teatral, foi escrito há mais de sete anos, no Maranhão, para as meninas Riosa, que a representaram em quase todo o Brasil e até em Portugal. Pô-la em música e em boa música, Leocádio Raiol; mas ultimamente representaram-na sem ela Helena Cavalier e Silva Pereira: desencaminhara-se a partitura. Tem agora nova música, e não inferior, de Carlos Cavalier.

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    Alex Santos Bandeira Barra06/10/2016Resenhou um livro
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    Bela comédia romântica!

    Anexins são provérbios, ditados ou rimas que tratam sobre a complexidade humana. Nesta comédia, Artur Azevedo desenvolve um diálogo bastante intenso entre Isaías, um solteirão e Inês, uma viúva. Embora os anexins sejam uma compulsão de Isaías, percebe-se uma força e dinâmica mental fantástica por parte do solteirão. Nos serve como uma pequena coletânea de anexins, afinal, são mais de 20 ditados super interessantes. O enredo da peça é bem simples mas, não menos, engraçada. E, o que vale destacar aqui é que Inês, ao saber que seu antigo namorado (Filipe) não mais lhe quereria, ela, incrivelmente muda de opinião num piscar de olhos. Isto é: aceita o pedido de casamento de Isaías, um senhor, que há poucos minutos antes, ela rejeitara. Sua fala após essa decisão é assertiva: "Filipe acaba de me provar que o dinheiro é tudo nestes tempos. Espero aqui o Isaías com o meu "sim" perfeitamente engatilhado!". Imagino que ao ser representada, esta peça produzirá risos, na decisão de Inês. Não risos de ironia, ou qualquer tipo de sarcasmo. Mas, tão somente um riso equivalente à surpresa. Afinal, a decisão instantânea da viúva é uma maneira perspicaz das mulheres engrenarem sua vida. Ela, já viúva, ou seja, jogada ao escanteio não ir ficar dando bobeira na vida. Pintou dois homens, ela escolhe o mais simpático e bonito, como ela própria o falou. O mais bonito saiu de cena, ela não pensou duas vezes: derrete-se pelo seu "idiota, velho e muito impertinente". O que se pode extrair desta peça? que, realmente, aquilo que Freud falara, existe: "o que quer uma mulher?". Não fica fácil compreender a lógica da fala de Inês, pois é tão convicta em seu amor por Filipe, que surpreende a todos com sua decisão abrupta de casar com Isaías. Isso, certamente, é o ponto central desta peça, que escrita em 1 ato, portanto, bem simples e direta, ao menos expõe de maneira bastante interessante o caráter repentino do pensamento de Inês. As mulheres, todos nós sabemos, ou deveríamos saber, sobretudo os homens, que não ficam de bobeira na vida. Para a mulher, um marido, um namorado, não é um acessório, é um mastro. Ter um homem ao seu lado, é certamente uma força na alma da moça. Se se for viúva, se já tiver passados dos 30, então, as convicções da mulher só aumentam. Sua decisão de ter um marido, de ter um filho, só crescem. Ou, naquelas que já se aprendeu a dor da vida, reconhecem que um tal "amor", de qualquer jeito, não vale a pena. Surpreende também em Inês seu amor à Filipe, não por ele ser somente bonito, mas ter boas qualidades, mesmo "apesar de pobre". Ou seja: Inês é aquela mulher que não viveu intensamente o amor. Casou-se, viuvou e não conseguiu aproveitar bem a vida! Belíssima comédia romântica!

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    3.5 / 45
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    • 4 estrelas22%
    • 3 estrelas33%
    • 2 estrelas24%
    • 1 estrelas0%
    Artur Nabantino Gonçalves de Azevedo profile picture

    Artur Nabantino Gonçalves de Azevedo

    Artur Nabantino Gonçalves de Azevedo nasceu em 7 de julho de 1855, em São Luís - MA e faleceu em 22 de outubro de 1908, na cidade do Rio de Janeiro. Filho de David Gonçalves de Azevedo, vice-cônsul de Portugal em São Luís, e Emília Amália Pinto de Magalhães. Em 1871 escreveu uma série de poemas satíricos sobre as pessoas de São Luís, perdendo o emprego de amanuense (copista de textos à mão). Seguiu para o Rio de Janeiro aos 18 anos de idade (1873), onde foi tradutor de folhetins e revisor de "A Reforma", tornando-se conhecido por seus versos humorísticos. Escrevendo para o teatro, alcançou enorme sucesso com as peças "Véspera de Reis" e "A Capital Federal". Fundou a revista "Vida Moderna", onde suas crônicas eram muito populares. Colecionador de obras (pinturas, gravuras e esculturas) e crítico de arte nos jornais cariocas, constituiu um vasto acervo denominado postumamente de "Coleção Arthur Azevedo de Gravuras". Foi amigo de artistas como Victor Meirelles, Rodolfo e Henrique Bernardelli, Modesto Broccos e João Zeferino da Costa. Artur de Azevedo, prosseguindo a obra de Martins Pena, consolidou a comédia de costumes brasileira, sendo no país o principal autor do Teatro de revista, em sua primeira fase. Sua atividade jornalística foi intensa, devendo-se a ele a publicação de uma série de revistas, especializadas, além da fundação de alguns jornais cariocas. Era irmão mais velho do escritor Aluísio Azevedo, autor de "O Cortiço" e "O Mulato".

    33 Livros
    15 Seguidores
    Maranhão, Brasil

    Artur Nabantino Gonçalves de Azevedo